sexta-feira, 4 de junho de 2010

Buster Keaton “The Blacksmith”

The Blacksmith” é mais um excelente curta-metragem, dirigida e protagonizada pelo mestre Buster Keaton, em 1922. O elenco conta com a presença dos actores já conhecidos nas curtas de Keaton – Joe Roberts e Virgínia Fox.

Sinopse:

Um Ferreiro (Joe Roberts), entra em conflito com outros Ferreiros, sendo depois preso. O seu ajudante (Buster Keaton), fica então a tomar conta da loja, tentando ajudar os clientes que vão surgindo, mas as consequências vão ser devastadoras.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Wolf Parade “Cloud Shadow on the Mountain”

Expo 86” é o terceiro álbum dos canadenses Wolf Parade que tem data prevista de lançamento no dia 29 de Junho pela Sub Pop. Após os aplaudidos “Apologies To The Queen Mary” (2005) e “At Mount Zoomer” (2008), a banda regressa com um disco mais energético e agora na presença avassaladora de sintetizadores. Vem aí bom presságio!

Cloud Shadow on the Mountain” é a música que abre “Expo 76” e é brilhante. Ora oiçam!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

“Love & Theft” de Andreas Hykade

“And I'm still carrying the gift you gave, it's a part of me now, it's been cherished and saved, it'll be with me unto the grave and then unto eternity." (Bob Dylan)

A curta-metragem de animação - “Love & Theft” – do alemão Andreas Hykade, foi apresentada este ano no Festival Cannes. O autor das animações “The Runt” (2006), “The King is Dead” (1990) e entre outras, “Love & Theft”, não foge da estética dos seus projectos anteriores, onde predomina a metamorfose das personagens, uma influência nítida do pioneiro Emile Cohl. Uma forma visual com imagens distorcidas, rítmicas e alucinógenas, são o plano de fundo desta animação que vos aqui deixo.

terça-feira, 1 de junho de 2010

[A Velha JukeBox] Sigue Sigue Sputnik: Love Missile F1-11


Sigue Sigue Sputnik: Love Missile F1-11 (Flaunt It _1986)


segunda-feira, 31 de maio de 2010

Lou Reed “Transformer”

Não é por acaso que “Transformer” foi considerado um dos 100 melhores álbuns de todos os tempos. Basta verificar o alinhamento e deparamos que contém os maiores clássicos da carreira de Reed (pós-Velvet Underground) – “Vicious”, “Satellite of Love”, “Perfect Day” e “Walk on the Wild Side”, são alguns desses temas. Não é só a poesia de Lou Reed que se destaca neste brilhante disco, tudo o que se ouve é lindíssimo, perfeito. A ajuda de David Bowie e de Mick Ronson (ambos fortemente influenciados pelos Velvet Undeground), na produção, teve sem dúvida uma grande influência em todo o trabalho e que lhe deram uma certa luminosidade e a alma do glam rock. A desilusão que tinha sido com o seu primeiro álbum a solo de 1971 - Reed - com "Transformer", recuperava e afirmava-se definitivamente numa estrela planetária do rock ‘n’ roll.
Há que mencionar que a fotografia da capa do álbum foi da responsabilidade de Mick Rock.

Além dos míticos temas que já aqui referi, há também que destacar os restantes - “New Your Telephone Conversation”, “Andy’s Chest”, “Make Up”, “Hangin’ Round”, “I´m So Free”, “Wagon Wheel” e por fim, a terminar brilhantemente com “Goodnight Ladies”.

É para mim um disco para ouvir muitas e muitas vezes.

Lou Reed “Transformer” (RCA Records_1972)

Recordo o single “Walk on the Wild Side”.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Measured Sacrifice

Escrito e dirigido por o norte-americano John Whitney, “Measured Sacrifice” é uma curta-metragem de 2009, premiada com 5 galardões. Este drama conta com a participação de Amanda Howell, Jane Mowder, Kevin McClatchy, Richard Mason, Dan Kiely e entre outros.

Sinopse:

Terry vive na pobreza, numa América envolvida na “guerra contra o terrorismo”. Ela enfrenta uma gravidez não planeada e tenta decidir se participa num plano do governo, baseado numa ajuda financeira para mulheres na mesma situação.
Ao aceitar programa, começa a perceber-se não só dos seus graves problemas monetários, mas entra , igualmente, em desacordo com todos aqueles que vivem à sua volta, incluindo ela própria. Terry tenta enfrentar o seu assombroso passado e o futuro incerto.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Gary Numan estreia-se amanhã em Portugal

Uma das principais referências da música electrónica dos anos 80 – Gary Numan – vai passar já a partir de amanhã e pela primeira vez no nosso país, mais precisamente, na Casa de Artes em Famalicão.
O concerto é inserido na digressão da reedição de “The Pleasure Principle”, o seu primeiro álbum a solo editado em 1979.
O músico foi fundador dos Tubeway Army em 1976, ficou conhecido principalmente pelo sucesso dos singles “Are Friends Electric” e “Cars”. O último registo editado pelo britânico foi “Jagged” de 2006.

Recordo então do álbum “The Pleasure Principle”, o tema “Metal”.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

terça-feira, 25 de maio de 2010

Mew “Beach”

Não me considero um grande fã da banda dinamarquesa Mew, apenas acho alguma piada aos álbuns “Frengers” de 2003 e “And The Glass Handed Kites” de 2006. “No More Stories…” editado o ano passado, já não me agradou assim muito, mesmo ter sido muito bem recebido pela crítica. E é desse álbum que quero aqui mostrar o último single – “Beach” – que tem um vídeo de grande qualidade, produzido por Martin DeThurah, Adam Hashemi e Lasse Martinussen.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Circus Mort “Swallow You”

Formados em 1979, Nova Iorque, Circus Mort seguia por caminhos pós-punk e era liderado por o vocalista Michael Gira (que mais tarde viria a fundar os Swans), os gémeos Dan Braun no baixo e Josh Braun nos teclados e por fim, Pudignano Angelo na bateria. A banda gravou apenas um EP – “Circus Mort” – ainda antes de separarem em 81. É um excelente projecto de Michael Gira, que vale a pena destacar.

Recordo este brilhante tema apenas para audição – “Swallow You”.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Keystone Kops “Our Dare-Devil Chief” (1915)

Produzido por Mack Senett, para a Keystone Film Company entre 1912 e 1917, a série de comédia do cinema mudo - Keystone Kops – era formado pelo grupo de polícias (Charley Chase, Dora Rodgers, Josef Swickard, Nick Cogley, William Hauber, Fritz Schade, Josef Sweet e Harold Lloyd), completamente inábeis. O primeiro filme a ser liberado, foi em 1912 e intitulava-se de “Hoffmeyer´s Legacy”. Mas só em 1913 é que a série começou a ganhar popularidade, graças à curta “The Bangville Police” com a presença do actor Mabel Normand.
Em 1914 Mack Senett conseguiu que outros actores famosos dessa época tivessem na série uma participação especial, como Marie Dressler, Mabel Normand, Fatty Arbuckle e até Charlie Chaplin. Em 1920, Senett ainda produziu algumas curtas dos Keystone Kops, mas a popularidade decaiu.

Vejam a curta “Our Dare-Devil Chief” e também podem aqui ver "The Force" com a participação de Arbuckle.

Parte 1



Parte 2



Parte 3

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Wes Montgomery “Round Midnight”

Wes Montgomery (1925-1968), foi um guitarrista norte-americano e que na minha opinião, teve uma grande importância na história da música jazz. Definiu também aquela que viria a ser a sonoridade clássica da guitarra do jazz nos anos 60.
A sua extrema liberdade e fluidez no instrumento chamaram - desde o início - a atenção de imensos músicos. É conhecido por ter influenciado inúmeros músicos, entre os quais, Pat Metheny, George Benson, Lee Ritenour e entre outros.

Recordo aqui o brilhante tema – “Round Midnight” – do disco “The Wes Montgomery Trio” de 1959.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Johnny Cash em Banda Desenhada

Foi lançada recentemente pelo alemão Reinhard Kleist, a biografia de Johnny Cash em banda desenhada. “Johnny Cash: I See a Darkness” é um excelente trabalho, tendo sido inclusivamente, já premiado. O livro de Kleist ilustra praticamente a vida de Cash desde a sua infância, passando pelo famoso concerto no Folsom Prison, até às últimas sessões de gravação com o produtor americano Rick Rubin.
“O meu Pai tinha um disco de Cash e lembro-me de ver uma fotografia dele lá por casa todo vestido de preto e pensei que deveria ser um tipo porreiro.”
- afirmou Kleist - “A primeira vez que comecei a ouvir com mais atenção a sua discografia, foi quando saiu o American Recordings. Antes disso, conhecia apenas algumas músicas como "Ring of Fire" e "A Boy Named Sue", e ainda outras que se ouviam na rádio, mas fiquei realmente impressionado, com os álbuns American Recordings, pois eram de uma enorme intensidade.”

Kleist afirmou ainda que o livro surgiu no seio de uma discussão com a editora alemã Carlsen Verlag, sobre representações de música ao vivo em banda desenhada. Deparou-se, posteriormente, com a biografia de Cash, mas antes porém um amigo tinha-lhe facultado o livro da biografia do alemão Franz Beast Dobler - “The Beast in Me” –, não era porém, exactamente, aquilo que procurava. Por conseguinte, foi sobre a vida de Cash que resolveu trabalhar, tendo ficado plenamente satisfeito com a sua escolha.
O autor indicou ainda que foi bastante emocionante ter feito referência ao mítico concerto no Folsom Prison onde se destaca Glen Sherley, pois não este era uma mera uma personagem. O prisioneiro reflecte uma verdadeira preocupação com a liberdade, mostrando não só uma vontade de se libertar da prisão física que o isola, mas do próprio cativeiro que construiu em torno de si mesmo e em relação aos outros - luta que Johnny Cash também travou toda a vida e em que por vezes não foi muito bem sucedido.

São assim imagens expressivas e com uma dinâmica cinematográfica, através das quais Kleist narra os altos e baixos do Man in Black, os seus sucessos e os fracassos provocados pelo consumo excessivo de drogas e álcool. Mas é justamente esta complexidade que caracteriza a personalidade de Johnny Cash, pois esta deu-lhe a energia para se insurgir contra a política dos EUA e para lutar pelos direitos dos excluídos.

Este é para mim um dos livros de banda desenhada do ano. Recomendo!

Editora: Self Made Hero, 21.43€

(Podem também encontrar este artigo no marsupial nº 01)

terça-feira, 18 de maio de 2010

Melissa Auf Der Maur “Out of Our Minds”

Após 6 anos do álbum de estreia a solo (Auf Der Maur), Melissa Auf der Maur (ex-Hole, Smashing Pumpkins), está de regresso com “Out of Our Minds” que está disponível desde o dia 30 de Março.
Para além do CD, “Out of Our Minds" (OOOM), vem também incluído um curta, um livro de banda desenhada, fotografias e vídeos, que pode ser adquirido separadamente.
O novo álbum conta com uma extensa lista de convidados, que para além dos produtores Chris Goss, Alan Molder, Mike Fraser e Jordan Zadorozy, ainda tem a participação de Glenn Danzing no tema “Father’s Grave”.

O título que dá nome ao novo álbum, é também o primeiro single de apresentação e o vídeo é excelente, produzido por Tony Stone. Ora vejam!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

The National “High Violet”

Foi necessário ouvir algumas vezes “High Violet”, para conseguir chegar a uma conclusão, que na minha opinião foi bastante positiva. Não foi um álbum muito fácil de digerir, mas que depois se começa a entranhar, conquistando gradualmente. Com “Alligator” (2005), os The National conseguiram sem dúvida sobressair, mas foi com o aclamado “Boxer” (2007), que se tornaram efectivamente, uma das bandas mais respeitadas da cena indie. “High Violet” poderia não conseguir alcançar o mesmo patamar de qualidade dos discos anteriores, porém a banda norte-americana consegue novamente triunfar, resultando daí mais um grande clássico. Todas as melodias vão progressivamente seduzindo, seguindo talvez os mesmos passos de “Boxer”, tendo um resultado final absolutamente notável.

Além dos brilhantes temas – “Bloodbuzz Ohio” e “Afraid of Everyone” – já apresentados, “Anyone's Ghost” e “Runaway”, tornam este álbum irresistível. “England” é absolutamente magistral e a terminar, a épica “Vanderlyle Crybaby Geeks”. Resumindo: Excepcional.

Tracklist:

01 Terrible Love
02 Sorrow
03 Anyone's Ghost
04 Little Faith
05 Afraid of Everyone
06 Bloodbuzz Ohio
07 Lemonworld
08 Runaway
09 Conversation 16
10 England
11 Vanderlyle Crybaby Geeks

The National “High Violet” (4AD) – 9/10

Deixo-vos com o video "Bloodbuzz Ohio", realizado por Hope Hall, Andreas Burgess e Carin Besser.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

The Monk and the Fish

Produzida em 1994 pelo Holandês Michael Dudok de Wit, “The Monk and the Fish” (Le Moine et le Poisson), foi nomeada ao Óscar e ainda ganhou inúmeros prémios, incluindo “César Awards” e “Cartoon d'Or”. Trabalhada em aguarela, esta curta junta-se a outras excelentes animações produzidas por Dudok de Wit, tais como “Father and Daughter”, “Tom Sweep” e “The Aroma of Tea”. A banda sonora é da autoria de Serge Besset e é baseada na "La Follia" de Corelli.

Sinopse:

Um monge obcecado com o peixe, tenta tudo por tudo para o capturar.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Ceremony “Stars Fall”

O noise rock e o shoegaze, são os elementos fortes que caracterizam o grupo norte-americano Ceremony, tendo muitas semelhanças com os seus conterrâneos – A Place to Bury Strangers. Ou seja, antes de existir os Ceremony ou os A Place to Bury Strangers, existia os Skywave (considerados por alguns, como os responsáveis pelo surgimento do Shoegaze na América), e que após o seu fim, o baixista Oliver Akerman, forma os A Place a Bury Strangers e os restantes membros (Paul Baker e John Fedowitz), os Ceremony.
Rocket Fire” é o 3º álbum lançado no mês de Abril pela editora Killer Pimp e que não foge muito da sonoridade dos seus discos anteriores.

Aqui fica “Stars Fall” do novo registo.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Peanuts: Obra Completa

Está finalmente disponível, cinco dos 24 volumes do projecto de Charles M. Schulz, da colecção “Peanuts” em tiras. Já foi lançado pelas edições afrontamento, o 1º Volume (1950-1952), 2º Volume (1953-1954), 3º Volume (1955-1956), 4º Volume (1957-1958) e o 5º Volume (1959-1960). Cada volume tem aproximadamente 300 páginas e reúne por ordem cronológica, recuperadas e restauradas, todas as tiras diárias e pranchas dominicais publicadas nos jornais ao longo de dois anos. Está previsto para este ano, a edição do 6º Volume (1961-1962), em Maio e em Outubro os Volumes 7 e 8. É esperado que a edição fique concluída lá para 2016.
Já perdi a cabeça e já comprei 2 dos volumes, mas tenho algumas dúvidas se irei adquirir mais algum. Os livros são um pouco dispendiosos e além disso, já não tenho estante para eles. É uma excelente edição, mas acho que já me contento com estes. Acho!

Sinopse

“As Edições Afrontamento têm o prazer de anunciar a publicação do ambicioso projecto da Obra Completa de Charles M. Schulz "Peanuts". 24 Volumes, ao ritmo de 2 livros por ano, daquelas que são consideradas as mais famosas tiras cómicas do mundo serão postos à disposição do público leitor, em língua portuguesa. Os dois primeiros volumes estão a partir de agora disponíveis. Esta colecção permitirá, pela primeira vez, ler e coleccionar os Peanuts na sua versão integral e em língua portuguesa.


O primeiro volume, que cobre os primeiros dois anos e um quarto de tiras (1950, 1951 e 1952), exercerá um particular fascínio para os fãs dos Peanuts. Apesar de haver centenas de livros publicados, a maior parte das tiras destes primeiros tempos nunca tinham sido anteriormente reunidas, em grande medida porque mostram um jovem Schulz em início de carreira onde as personagens que o celebrizaram são ainda bastante diferentes daquelas que posteriormente o mundo consagrou. Entre outras coisas, as três grandes personagens - Schroeder, Lucy e Linus - apareciam inicialmente como crianças e apenas "foram crescendo" à medida que os meses foram passando. Mesmo o Snoopy começa por aparecer como um cachorrinho! Assim, a colecção "Peanuts - Obra Completa" oferece a oportunidade única de vermos o Mestre refinar as suas personagens e sedimentar o seu universo, dia-a-dia, semana-a-semana, mês-a-mês.O segundo volume integrará as tiras de Schulz publicadas entre os anos de 1952 e 1954.”



Charles M. Schulz
Editor: Edições Afrontamento, 320 páginas
220 x 174 mm, 324 p., pb, cartonado com sobrecapa com badanas
23.00€ (cada livro)

terça-feira, 11 de maio de 2010

[A Velha JukeBox] Happy Mondays: 24 Hour Party People


Happy Mondays: 24 Hour Party People (Squirrel and G-Man Twenty Four Hour Party People Plastic Face Carnt Smile_White Out_1987)


segunda-feira, 10 de maio de 2010

Mão Morta “Pesadelo em Peluche”

A comemorar 25 anos de carreira, os Mão Morta estão de regresso com um novo álbum que o intitularam de “Pesadelo em Peluche”. É um grande regresso da banda bracarense às suas origens mais roqueiras e que é para já, na minha opinião, o melhor álbum nacional deste ano. A destacar a música “Como um Vampiro”, que conta com a participação de Fernando Ribeiro. O álbum é inspirado no tortuoso universo de J.G. Ballard, mas nada melhor que Adolfo Luxúria Canibal para explicar “Pesadelo em Peluche”:

“Pesadelo Em Peluche teve como ponto de partida o livro The Atrocity Exhibition (A Feira de Atrocidades), de J. G. Ballard, e a questão aí levantada da nova percepção do real que o panorama mediático e cultural instituído pela moderna comunicação de massas induz no indivíduo. É sobejamente conhecida a anedota do miúdo urbano que se espanta ante a visão de uma galinha viva porque só a figurava depenada e dependurada nos talhos e nos supermercados. Da mesma forma, com o devido reajuste de escala, que traços de personalidade são sulcados no sujeito diariamente exposto às imagens choque de guerras, acidentes, crimes ou catástrofes naturais que enchem os noticiários televisivos, aos paradigmas produzidos pela publicidade na permanente exaltação de objectos quotidianos como o champô, o automóvel, os destinos de férias ou os gadgets tecnológicos, aos mexericos emocionais da vida privada de vedetas televisivas e demais figuras públicas constantemente expostos nas capas das revistas e nos escaparates dos quiosques, aos infindáveis cenários de auto-estradas, engarrafamentos, viadutos, aeroportos e vastos bairros uniformes que lhe marginam as jornadas casa trabalho? Essa matéria visual da cultura mediática e os novos desejos e padrões psíquicos que fomentam constituem o cerne das histórias contidas nas canções e também a premissa para a sua composição, desenvolvida a partir de algumas das matrizes que os últimos 30 anos da história do rock fixaram. Assim, os riffs ou as batidas à maneira de servem para enquadrar narrativas psicóticas onde a pulsão sexual é alimentada por estranhos fetiches e a morte não passa de uma ficção conceptual carregada de encantos obscenos. Como se, perdido o equilíbrio genésico, a vida se transmutasse num perturbante pesadelo de desconcerto numa mente entorpecida pelo peluche do conforto.”

“Pesadelo de Peluche” já está disponível desde 19 de Abril e é a estreia da banda na Universal Music Portugal. Um disco repleto de grandes músicas.

Tracklist:

1. Novelos da Paixão
2. Teoria da Conspiração
3. Paisagens Mentais
4. Biblioteca Espectral
5. Tardes de Inverno
6. Como um Vampiro
7. Penitentes Sofredores
8. O Seio Esquerdo de R.P.
9. Fazer de Morto 10. Metalcarne
11. Estância Balnear
12. Tiago Capitão

Mão Morta “Pesadelo em Peluche” (Universal Music) – 8/10

Para ver e ouvir “Novelos da Paixão”.