“Latter
Days”, é o primeiro single a ser retirado de “White Orchid”, o segundo álbum
dos French Films a ser editado no dia 3 de maio, pela Gaea Records.
Entre
o post-punk e o surf-rock, a banda finlandesa estreou-se em 2010 com o EP
“Golden Sea” e no ano seguinte, lança o primeiro álbum de longa duração, “Imaginary Future”.
Este ano o verão chega mais cedo com os French
Films, desvendando já “Latter Days”, música a fazer lembrar um pouco The Drums, e que é o primeiro single e vídeo a ser retirado de “White Orchid”.
“We Never Had Control” é o novo trabalho do
australiano Hugo Race, lançado nos finais de 2012 pela Gusstaff Records.
O músico que antes pertencera à formação inicial dos
The Bad Seeds, de Nick Cave, até 1984, forma os The Wreckery e mais tarde os True Spirit, gravando 12
registos. Em 2007 junta-se a Chris Brokaw e a Chris Eckman,
criando os Dirtmusic, e por fim, em 2010 ao lado dos músicos italianos Antonio
Gramentieri e Diego Sapignoli, da banda instrumental Sacri Cuori, forma Hugo Race Fatalists. É
lançado o primeiro registo “Fatalists” (2010), numa sonoridade que aproxima do
post-folk e do indie rock, sendo depois embelezada com a alma poética de Race.“We Never
Had Control” é o novo registo, e que é extraordinário.
“Ghostwriter” é o primeiro single retirado de “We Never
Had Control”, e uma das melhores canções desse álbum. Fica aqui o vídeo, produzido
por Corrado
Vasquez.
“For anyone who wants to play rock & roll, real rock & roll, this
is one of the few records that you really need. Along with Chuck Berry, Elvis,
Little Richard, Jerry Lee Lewis and Gene Vincent and a few select others, Bo
Diddley was one of the founders of the form — and he did it like no other.
Released in 1958, Bo Diddley is one of those records that, after
listening to just a few cuts, will find you tapping the beats on every
available surface. Diddley’s guitar and vocals have a gruff feeling that
recalls bluesmen such as Muddy Waters, yet he has his own style. Buttressed by
drums, funky piano, and usually maracas, it’s absolutely infectious. This is
one of the greatest rock sounds that you’re likely to hear, and it’s all on this
one record too.” Allmusic
Um
disco marcante e indispensável para todos aqueles que veneram o genuíno rock n’
rol.
Bo
Diddley foi um revolucionário do blues e até mesmo do rock, seguindo por um
caminho um pouco diferente de outros músicos dessa fase, como Chuck Berry,
Elvis Presley, Little Richard, Jerry Lee Lewis, Muddy Waters e de BB King,
dando outro impulso e intensidade rítmica.
Este
foi o primeiro registo gravado por Diddley para a Chess Records, onde incluía alguns
dos seus maiores êxitos, como “Bo Diddley”, “I'm a Man”, “Who Do You Love”, “Pretty
Thing”, “Hey Bo Diddley” e “Hush Your Mouth”. Este álbum é considerado uma
compilação, já que junta algumas músicas lançadas pelo músico norte-americano desde
1955. Mais tarde, o álbum foi reforçado com mais 8 canções, sendo elas lados B
dos singles lançados. “Bo Diddley” tornou-se assim num registo fundamental, uma
influência para imensos músicos e bandas, Buddy Holly, Jimmy Hendrix, U2, The
Jesus & The Mary Chain, e entre outros.
Bo Diddley “Bo
Diddley” (Chess_1958)
“Bo Diddley” é um dos meus singles escolhidos para
representar este registo fantástico.
Baseado no romance gráfico (banda desenhada), autobiográfica da iraniana Marjane Satrapi, o filme de animação “Persepolis” (2007), foi escrito e dirigido pela própria Satrapi em colaboração com o francês Vincent Paronnaud. O filme retrata as memórias infantis e juvenis da Satrapi no Irão pré e pró revolucionário. A sua vida turbulenta dentro e fora do Irão, narrado de uma forma engenhosa e com senso de humor irónico, entre imagens dominadas pelo preto e branco, repleto de simplicidade e subtileza, tudo transfigurado numa bonita obra de arte.
O filme foi premiado no Festival de Cannes e no International Film Festival Vancouver, estando ainda nomeado para inúmeros festivais, entre eles o Óscar da Academia e o Golden Globe Awards.
“Esta é a história comovente de uma menina que cresce no Irão durante a Revolução Islâmica. É através dos olhos da precoce e extrovertida Marjane, de 9 anos, que vemos a esperança de um povo ser destruída quando os fundamentalistas tomam o poder, forçando as mulheres a usar o véu e mandando para a prisão milhares de pessoas.
Inteligente e destemida, Marjane consegue fintar os “guardas sociais” e descobre o punk, os Abba e os Iron Maiden. Mas, quando o seu tio é cruelmente executado e as bombas começam a cair sobre Teerão durante a guerra Irão/Iraque, o medo diário que invade o quotidiano do Irão torna-se palpável.
À medida que vai crescendo, a ousadia de Marjane torna-se uma constante fonte de preocupação para os seus pais que temem pela sua segurança.
Assim, aos 14 anos, tomam a difícil decisão de a enviar para uma escola na Áustria.
Vulnerável e sozinha numa terra estranha, tem que enfrentar as típicas contrariedades dos adolescentes. Além do mais, Marjane é confundida com o fundamentalismo religioso e o extremismo, exactamente as coisas de que fugiu no seu país. Com o tempo, acaba por ser aceite e até conhece o amor, mas com o fim do liceu começa a sentir-se sozinha e cheia de saudades de casa.
Apesar de isso significar ter que pôr o véu e viver numa sociedade tirânica, Marjane decide regressar ao Irão para estar mais perto da sua família.
Após um difícil período de ajustamento, entra para uma escola de artes e casa-se, embora continue a levantar a sua voz contra a hipocrisia a que assiste.
Aos 24 anos, percebe que, apesar de ser profundamente iraniana, não pode continuar a viver no Irão. É então que toma a dilacerante decisão de trocar a sua terra natal pela França, cheia de optimismo em relação ao futuro, moldada indelevelmente pelo seu passado.”
“People
are Poison”, é a segunda amostra do novo EP “Oceans With No End”, da banda
norte-americana Cold Cave, lançado recentemente pela Deathwish, editora de
Jacob Bannon dos Converge.
Impulsionado
pelo darkwave e o synthpop, Wesley Eisold ressurge com um novo EP com apenas
dois singles, “Oceans With No End” e “People are Poison”, embebidos num ambiente
totalmente intenso. Fala-se de um sucessor de “Cherish the Light Years”(2011),ainda
para este ano, mas para já não passam apenas de rumores.
Deixo
para audição os dois temas inseridos no novo EP, o surpreendente “People are
Poison” e “Oceans With No End”, adaptadíssimos para as melhores pistas de dança.
A editora El Pep lançou o ano passado “Sangue Violeta e Outros Contos”, que junta pela primeira vez as três histórias de Fernando Relvas
publicadas no Jornal já extinto, Se7e, entre 1983 e 1986."Sangue violeta", "Tax driver" e
"Sabina", são as bandas desenhadas que mais marcaram os leitores do
semanário. Um traço inconfundível de Relvas, ligeiro e distinto, a diferençar o
preto e branco, num registo punk, entre histórias de sexo, drogas e rock n’ roll,
na agitada actividade lisboeta.
“Sangue
Violeta e outros contos, editado porel pep, inclui três histórias, ou
contos, ou séries, conforme quiserem, Sabina, publicada no jornal Se7e em 1983,
uma segunda história de visitas às praias do Algarve (a primeira foi Cevadilha
Speed, 1981, publicado em livro por SIBDP em 1998), e Sangue Violeta, que não é
uma história, não é um conto, nem propriamente uma série, em 1984, mas que se
envolve com um curto conto, Tax Diver, e que terminará diluindo-se em Karlos
Starkiller, numa sucessão de histórias, contos ou séries, como lhe quiserem
chamar, que durará até 1986. Karlos Starkiller
(publicado por Baleia Azul em 1997), acabou por sair em livro aproveitando uma
proposta revista e aumentada, apresentada dez anos antes à empresa editora do
Se7e que considerou na altura "não estar vocacionada para a edição de
banda desenhada". Cada conto, ou história, exigiu, uma década depois, uma
curta apresentação aos leitores, já esquecidos dos acontecimentos anteriores à
queda do Muro de Berlim. Não se passa o mesmo com Sangue Violeta. Esta é mesmo
uma edição arqueológica. Tirando duas alterações, todo o trabalho editorial
pertence ao Pepe e ao Brito e segue o mais fielmente possível a ordem da
publicação em jornal (e, acreditem, não deve ter sido fácil). Fosse eu a
fazê-lo e cairia na tentação de eliminar páginas inteiras e refazer outras, e
depois explicar o porquê de tudo o que lá está. Assim, vão ter
direito aos concursos e questionários inconsequentes, aos grafismos toscos, aos
concertos punk e às minhas tentativas de reforma ortográfica (sem nunca chegar
ao exagero de transformar, como os nossos brilhantes ortógrafos conseguiram
fazer, espectador naquele que espeta). A propósito, entenda-se que não vejo
grande inconveniente na maior parte das alterações feitas pelo acordo
ortográfico. É certo que não vai resolver nada do que se propôs resolver e que
vai complicar diferenças que o povo já tinha acomodado, mas estraçalhar as
regras da escrita é, quanto a mim, sempre divertido. Em
qualquer época ou situação geográfica.”
Provisoriamente
ausente dos Nine Inch Nails, Trent Reznor instala-se agora no seu novo projecto
- How to Destroy Angels - ao lado da sua mulher Mariqueen Maandig eAtticus Ross.
Reznor
arrisca em texturas electrónicas mais intimistas e futuristas, muito perto das
bandas sonoras, "The Social Network" (2010) e "The
Girl With the Dragon Tattos" (2011), que produziu ao lado de Ross. Os aclamados
EP’s “How to Destroy Angels” (2010), e “An Omen” (2012), já revelavam o percurso
em que Reznor queria levar, uma sonoridade electrónica mais minimal e experimental,
aliviada pela voz versátil e sensual de Maandig.
Esse
novo universo electrónico cativou-me. No desafiante e experimental “Keep it Together”
arranca a expressar - “I
feel the skin that separates us” – dominado por um synth sombrio e
sinistro. Na canção “Welcome Oblivion” podemos encontrar alguns fragmentos dos
NIN, densa, enquanto a exótica“Ice Age” é
uma das músicas mais atraentes deste álbum, passando aqui despercebido os
ambientes electrónicos. Em “On the Wing” e “Too Late, All Gone”, já os
sintetizadores dominam, em formato quase sinistro. O cativante single de apresentação,
“How Long?”, faz quase reviver os Morcheeba entre um clima muito aliciante e hipnótico.
“Strings and Attractors” é infalivelmente apaixonante entre uma textura electrónica
intensa, e “Recursive Self-Improvement”, explora pelo instrumental, formalmente
adequada para um novo trabalho cinematográfico.
Vale
a pena deixar-nos fluir por todo esse espírito e sensualidade de “Welcome
Oblivion”.
Tracklist:
01. The Wake-Up
02. Keep it Together
03. And the Sky Began to Scream
04. Welcome Oblivion
05. Ice Age
06. On the Wing
07. Too Late, All Gone
08. How Long?
09. Strings and Attractors
10. We Fade Away
11. Recursive Self-Improvement
12. The Loop Closes
13. Hallowed Ground
How to Destroy Angels “Welcome Oblivion” (Columbia
Records) – 7/10
Dirigido
por Shynola, fica o primeiro vídeo “How Long?”.
Para a história do cinema mudo e expressionista alemão, ficou
“Faust” (Faust – Eine deutsche Volkssage), um dos filmes mais marcantes do realizador F. W. Murnau
(1888 – 1931), e último produzido na Alemanha. Para muitos este filme trata-se
do melhor de Murnau, considerado até superior a “Nosferatu”, outro dos seus grandes
clássicos. O filme segue fielmente o expressionismo, uma das características centrais
de Murnau, mostrando todos os pormenores cénicos num jogo de luzes e sombras.
“Faust” foi baseado na obra de 1806, com o mesmo nome, do
escritor alemão Goethe, que escreveu inúmeros romances de renome, como “Os Sofrimentos do Jovem Werther” de 1774, ou “O Aprendiz do Feiticeiro” de 1797. A
obra expõe o ser humano a um conflito existencial, arrastando o leitor para uma
jornada de sentimentos e emoções.
O resultado final do filme é de uma enorme beleza artística,
inovador, e uma lição de bem filmar, que faz dele uma referência de culto da história
da 7ª Arte.
Sinopse:
"O
demónio Mefisto e um Arcanjo apostam sobre a possibilidade de corromper o mais
justo dos homens. Em consequência o demónio espalha uma terrível peste sobre a
cidade onde vive Fausto, um velho médico e alquimista.
Impotente perante a devastação, Fausto encontra um livro onde se fala num pacto
com o Diabo, e em desespero invoca-o. Mefisto aparece a Fausto na forma de um
mendigo e tenta-o a fazer um pacto por 24 horas. Fausto cura as pessoas da
aldeia, mas é expulso por não conseguir tocar um crucifixo.
Para o continuar a tentar, o demónio restitui-lhe a juventude e tenta-o com a
visão da duquesa de Parma. Os dois viajam até ao casamento da duquesa, que
Fausto conquista, enquanto as 24 horas se esgotam, e ele dá a sua alma ao
demónio.
Farto da sua vida de opulência e luxúria, Fausto pede para regressar à sua
terra natal. Aí enamora-se de Gretchen, que conquista graças à magia de
Mefisto. Mas Mefisto denuncia Fausto ao irmão de Gretchen, Valentin, que
descobre os amantes e desafia Fausto em duelo. Mefisto mata Valentin, e a culpa
recai sobre Fausto, que novamente tem de fugir.
Gretchen é renegada pelo seu povo, e dá à luz ao filho de Fausto, em solidão.
Abandonada, deixa o seu filho morrer na neve, e é condenada por assassínio.
Fausto vendo o que acontece regressa para salvar Gretchen, e chega a tempo de
ver Gretchen na fogueira. Ao ver Fausto desejar nunca ter feito o pacto,
Mefisto quebra-o e Fausto volta a ser um idoso, atirando-se ao fogo com a sua
amada, e morrendo com ela.
No céu, o arcanjo diz a Mefisto que perdeu, pois no final o amor acabou por
triunfar."
De “Zeros” continua a escapar singles, e “Insides” é
o mais recente. Desse magnífico disco dos norte-americanos The Soft Moon,
lançado o ano passado e que aqui o elogiei, tem tido neste blog um lugar cativo
e merecido.
Luis Vasquez mostra mais um video, envolvido por imagens
a preto e branco, num ambiente sinistro, dirigido por Jacqueline Castel.
O
12º Festival de Cinema de Animação de Lisboa – Monstra 2013 – que arrancou no
dia 7 e que termina a 17 de Março, homenageia este ano os trabalhos cinematográficos
do Brasil e de Espanha. Serão exibidos 100 filmes do brasil e ainda homenageando
o cineasta Chico Liberato, pioneiro de animação, da Bahia, e que estreia na
Europa o filme "Ritos de Passagem". Também
será feita uma retrospectiva ao cinema espanhol, que iniciou no dia 11 e que
vai recorrer em várias cidades do país. Também já o japão vai estar em
destaque, com a extreia de “From up on Poppy Hill” e “Letter to Momo”. Para além
da exibição dos das salas habituais, Cinema São Jorge e do Cinema
City Alvalade, também a Fundação Calouste Gulbenkian vai colher o festival,
dedicando-se ao tema “Animação e Artes Plásticas”.
Para os interessados, podem aqui explorar o resto do programa ou
fazer download do mesmo. Mais tarde farei aqui a lista dos vencedores e desfrutem o resto dos dias.
“Les Fulles Seques” (2000), da espanhola Eulàlia Pagès, é uma das
curtas de animação que podem ver hoje no Cinema S. Jorge, pelas 19.30.
"The
Messenger” é o primeiro álbum a solo deJohnny Marr (ex-The Smiths), lançado
nos finais de fevereiro pelo selo Warner Bross. O músico inglês que após os The
Smiths, integrou em outros projectos, como os Talking Heads, The The, Electronic,
Modest Mouse ou os The Cribs, resolveu agora estrear-se em seu próprio nome. Na
minha opinião, “The Messenger” presenteia uma paleta de influências fazendo
praticamente uma retrospectiva à carreira de Marr, entre o britpop, o new wave,
o pós-punk e o rock alternativo.A revista
Rolling Stone chama-lhe “um álbum cheio de melodias de britpop e reverbs do pós-punk, com texturas vibrantes de a
voz descontraída de Marr".
A lembrar ainda que Marr vai estar
no dia 18 de Julho no 19º festival SBSR, naHerdade do
Cabeço da Flauta,junto à Praia do Meco em
Sesimbra, o mesmo dia que os Arctic Monkeys.
Fica aqui “Upstairs”,
o último single e video desvendado, e mais abaixo, deixo para audição “Say
Demesne”, um dos meus temas favoritos de “The Messenger”.
Já
com 40 anos de carreira, permanece a criatividade e a elegância imponente na
música de
Nick
Cave, que em fevereiro lançou “Push the Sky Away”, o 15º álbum pelos The Bad Seeds. Nestes últimos tempos o músico australiano teve mais ocupado com o seu
mais recente projecto – Grinderman – seguindo pelo rock n’ rol mais alienado e selvático,
um humor muito diferente do que fez nos Bad Seeds, estando mais perto dos The Birthday Party, uma das suas primeiras bandas. A verdade é que não ficou só
pelos Grinderman, Cave junta-se a Warren Ellis para construir algumas bandas
sonoras, sendo a última – Lawless – lançada o ano passado.
Cave
tem tendência de regressar à fase mais melancólica dos Bad Seeds, a impulsionar
um ambiente mais dramático, romântico e sensível, enquanto ao anterior álbum, “Dig,
Lazarus, Dig!!!” (2008), um pouco discrepante dos registos anteriores, adoptou por um som mais fervilhante, abrasivo, replecto de ruído e intenso, talvez ainda
dominado pela atmosfera dos Grinderman.
Produzido
por Nick Launay, “Push the Sky Away” é o primeiro álbum gravado sem Mick
Harvey, um dos fundadores dos Bad Seeds. Nick Cave e Warren Ellis são agora a
principal estrutura da banda, renovando e intercalando novas texturas, mas nunca
suspendendo a sonoridade familiar e perversa dos Bad Seeds.Barry Adamson é outra das surpresas neste disco, regressando à banda depois de “Your Funeral… My Trial” (1986), o último trabalho em que o músico participou.
Em “We No Who U R”, ouvimos Cave a cantar “and
we know who you are, and we know where you live,
and we know there’s no need to forgive again”,
muito perto da musicalidade de "Your Funeral, My Trial".“It''s darker and closer to
the end” vem de “Wide Lovely Eyes”,
uma das músicas mais assombrosas do disco, enquanto “Water’s Edge” intimida-nos
para um lugar mais sinistro, a rebuscar o ambiente dos primeiros álbuns.“Jubilee
Street” é dramático e belo, destacando a guitarra de Ellis e o violino. “Mermaids"
é o mais humorado, mas também o mais obsceno, uma canção de amor e um lamuriar
romântico sobre a ausência de um lugar mítico na vida espiritual do Ocidente. Instantaneamente
tenso, “We Real Cool”, através de um violino e um baixo vibrante, absolutamente
emocional. O blues de “Higgs Boson Blues”, um dos melhores momentos do álbum e
o sereno “Push The Sky Away”, tema lindíssimo mas amargurado.
Acreditem,
é um álbum fantasticamente belo!!
Tracklist:
01.
We No Who U R 02. Wide Lovely Eyes 03. Water’s Edge 04. Jubilee Street 05. Mermaids 06. We Real Cool 07. Finishing Jubilee Street 08. Higgs Boson Blues 09. Push The Sky Away
Nick Cave and
The Bad Seeds “Push the Sky Away” (Bad Seed Ltd.) – 9/10
“Jubilee Street” é o segundo single,
uma canção e um vídeo maravilhoso, dirigido por John Hillcoat.
Pouca informação encontrei sobre esta curta-metragem
indiana, realizada por Nijo Jonson. Posso apenas dizer que “Kamera” (2011) é uma
curta que gira em redor da percepção de uma criança que está confusa sobre o
caminho a seguir e como a vida lhe dificulta toda a ambição de lá chegar.
Com apenas 12 anos de idade, Arjun vive numa favela
e trabalha num depósito do lixo. O seu maior sonho é animar as pessoas e
conseguir fazê-las sorrir.
Lançado
pela Matador nos finais de janeiro deste ano, “Wash
the Sins Not Only the Face” é um dos discos que me tem seduzido
imenso durante estes dias.
O
novo álbum sucede o maravilhoso “Violet Cries” (2011), o registo de estreia dos
britânicos Esben and the Witch, que desenhou um ambiente fascinante e sinistro,
numa sonoridade dentro do rock alternativo, o shoegaze e o gótico.
Com
o novo trabalho, a banda de Brighton volta a assombrar e a enfeitiçar com
canções muito bem estruturadas e cheias de inspiração.
“When That Head Split” é já o terceiro single retirado
do novo álbum, com o video dirigido por Rafael Bonilla Jr, mostrando uma simpática
animação produzida em plasticina.
Aliciada pela técnica stop-motion, “My Strange
Grandfather” é uma curta de animação realizada pela russa de Dina Velikovskaya, estudante da Russian State University of Cinematography
(VGIK). Para além de ressuscitar um estilo que tem desaparecido um pouco na Rússia,
a autora resolveu elaborar uma curta emocional e poética, num cenário fantástico.
A curta conta a história
de uma criança que não entende porque é que o seu avô passa tanto tempo a
apanhar lixo na praia, até que finalmente o segredo é revelado. Ter
um avô estranho pode não ser fácil, mas por outro lado, pode ser absolutamente mágico.
Treze
anos depois de “Karelia Visa” (1999), os suecos Hedningarnarenascem e lançam novo
álbum - & - lançado durante o ano de 2012.
A
banda liderada por Anders Norudde e Hållbus Totte Mattsson, exibem uma
sonoridade dentro do folk tradicional sueco, servindo-se
das raízes nórdicas mais antigas, misturando o rock e o electrónico,
utilizando instrumentos antigos com a função de
se libertarem para um som mais contemporâneo e minimalista. Nestes
últimos anos, a banda sofreu algumas alterações, projectos paralelos e
concertos por todo mundo. Agora sem as duas vocalistas femininas, Norudde e Mattsson
ressuscitam os Hedningarna, entrando Christian
Svensson e Magnus
Stinnerbom, motivando o
trabalho de um novo álbum. “&” é intenso, inovador e atestado em energia, a
investir numa atitude mais punk. Um excelente regresso!
Não havendo vídeo, fica apenas para audição - “Tjuren”
– o tema de abertura de “&”.
Nascia
em Inglaterra uma das bandas mais importantes do movimento mais rebelde do ska
(2 Tone), iniciado no final da década de 70.
Os
Madness formavam-se em Londres, no ano de 1976, por Mike Barson(Monsieur
Barso),Chris Foreman(Chrissy Boy) e por Lee Thompson(Kix). Um pouco mais tarde juntava-se
a estes, John Hasler e Cathal Smyth (Chas Smash), e no ano seguinte
o vocalista Dikron Tulane. Esta formação durou até meados de 77, entrando
Graham McPherson (Suggs) como vocalista principal
e sai Thompsone Chas, sendo
este último substituído porGavin Rodgers. Devido a alguns conflitos com
Suggs pela sua falta de disciplina, que originou a sua expulsão, regressa em 78
definitivamente, tal como Thompson, que resolve
os seus conflitos com Barson.
A banda que no início
tinha o nome de Morris and the Minors, altera para Madness, uma das músicas do
músico jamaicano Prince Buster.Em 79, Chas Smash retrocede à banda, sendo assim
o sétimo e o último membro.
Lee Thompson compõe
“Prince”, o que seria primeiro single lançado pelo selo 2 Tone deJerry
Dammers, também membro dos The Specials. A música causou uma grande surpresa
nos tops ingleses, incentivando a banda acompanhar os The Specials e os The Selecter
em vários concertos, que viriam depois a gravar o seu primeiro resisto. “One Step Beyond…” era lançado pelaStiff Records em outubro de
1979, obtendo um enorme sucesso, permanecendo 37 semanas nas tabelas inglesas, subindo
ao segundo lugar. “One Step Beyond…” e “My Girl” eram os singles
que sucediam a “Prince”. Dave Robinson, o patrão da Stiff Records
impôs que fosse lançado mais singles, mas a banda discordou, originando no ano
seguinte o lançamento do EP “Work Rest and
Play”,
que continha "Night Boat to
Cairo" e mais três novos temas. Nesse mesmo ano, 1980, era editado o
segundo trabalho de longa duração dos Madness,“Absolutely”, conseguindo mais
uma vez fascinar o público, mesmo que a crítica o apontasse como menos
entusiasmante do que o anterior. “Baggy Trousers" e"Embarrassment", faziam
parte do leque dos êxitos desse disco.
Em 81 saia “7”, desviando-se um pouco da sonoridade dos
discos anteriores, mesmo assim, foi bem colhido pelos seus fãs. Mais para os
finais de 81, mostravam um novo single, "It Must Be Love", música original de Labi Siffre.
“The Rise & Fall”
era lançado em 82, que incluía o single "Our
House". Seguia-se em 84 “Keep Moving”, o
último registo a sair pela Stiff Records, ganhando apreciações muito positivas,
principalmente pela Rolling Stone, que desde “Absolutely” tinha vindo a fazer anotações
mais negativas.
Barsondecide abandonar
o grupo em 83, que foi substituído por Steve Nieve, e era lançado “Mad Not Mad”
(85). Devido à desagregação dos Madness, Suggs, Lee Thompson, Chris Foreman e Cathal Smyth, recriam
a banda inserindo “The” ao nome. Surgia em 88, “The Madness”, e após o fracasso
deste registo, os músicos actuais resolvem separar-se.
Suggs segue por um
caminho a solo, e Lee ThompsoneChris
Foreman formam os The Nutty Boys.
Os
membros originais resolvem reunir-se em 92 para dar diversos concertos, devido
à compilação “Divine Madness”. Após varias reuniões, a banda resolve trabalhar
num novo álbum, e é lançado em 99, “Wonderfull”, conquistando de novo o
público. Em 2005 lançam o primeiro disco de covers - TheDangermen Sessions, Vol. 1 – e em 2009 editam um novo trabalho de originais dez
anos depois de “Wonderfull”. “The Liberty of Norton Folgate” conquistava por
completo a crítica, sendo descrito como “o álbum mais sofisticado e gratificante
da carreira dos Madness.”
Em 2012, é apresentado
o 10º registo de originais dos Madness - Oui Oui Si Si Ja Ja Da Da -adquirindo
uma nota favorável pela maioria da crítica.
Recordo desta magnífica banda o seu primeiro single
- “Prince”.
Forte
em emoções, “The Kid” (1921), foi a primeira longa-metragem realizada por
Charlie Chaplin, pelo estúdio First Nacional.
Chaplin
junta-se e casa-se imprudentemente com Mildred Harris, a sua
primeira mulher, no início de julho de 1919, que originou o nascimento de um rapaz
que acabaria por morrer três dias depois. O comediante entra num estado
traumático, devido a todo esse acontecimento repentino. Depois do funeral do
seu filho, começa a pensar na produção de um novo filme, mesmo ressentido
alguma escassez na criatividade. Após algumas audições para encontrar uma
criança de sexo masculino, Jackie Coogan foi o rapaz que conquistou Chaplin por
conseguir imitar e fazer todos os seus gestos. Coogan de apenas quatro anos era
então o seu parceiro no próximo filme, que durou 9 meses a realiza-lo.
Após a separação
com Mildred, Chaplin ruma a Nova Iorque com toda a sua equipa de trabalho, com receio
que a sua ex-mulher lhe rapinasse o filme, que foi depois concluído.
“The
Kid” estreou-se nos cinemas em fevereiro de 1921, que teve um enorme sucesso,
sendo hoje considerado um dos melhores filmes da carreira de Chaplin. Carregado
de emoções foi muito importante criar uma banda sonora adequada para esse efeito.
Chaplin baseou-se na 6a Sinfonia de Tchaikovsky, para ele próprio desenvolver
uma banda sonora que a imagem e a música se contemplassem. O resultado final
foi perfeito, e por isso “The Kid” é hoje um filme de culto!
Ao sair do Hospital de Caridade com o
seu recém-nascido nos braços, uma mulher sem meios para o sustentar, deposita o
bebé dentro de um carro que vê estacionado e foge com o intuito de se suicidar.
Mas o carro é roubado e depois de várias peripécias, um vadio (Charlie
Chaplin), fica com ele. Cinco anos depois, criou-se uma forte relação entre
ambos e a criança ajuda o vadio a conseguir dinheiro em vários trabalhos. Mas a
vida da mãe da criança deu uma volta e esta é agora uma rica cantora de ópera e
tenta por todos os meios reencontrar o seu bebé perdido. Até que um dia, se cruzam na rua…