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terça-feira, 21 de maio de 2013

Savages “Silence Yourself”


"The world used to be silent / Now it has too many voices diz Jehnny Betty logo no início da introdução de “Shut Up”, a música de abertura de “Silence Yourself”, o álbum de estreia das britânicas Savages.  
Elogiadas desde cedo pela crítica, pelo seu post-punk carregado de energia, apinhado de histórias de formato poético. As músicas são aliciantes e por vezes primitivas, e conservam vitalidade do início ao fim, lembrando por vezes o lado feroz de grandes bandas da fase punk / post-punk, como os Gang of Four, Fugazi, Slits, Siouxsie & The Banshees ou os Wire.
Nesta última década fora surgindo interessantes bandas femininas dentro da fórmula do post-punk, como as Ipso Facto, The Long Blondes ou as The Organ, todos estes projectos já inexistentes e de curta carreira, mas que foram relevantes para um género que rebentou nessa altura. A ex-John & Jehn, Jehnny Beth (vocalista), Gemma Thompson (guitarrista), Ayse Hassan (baixista), e Fay Milton (baterista), formam então as Savage, que em 2012 inauguraram a sua música ao vivo, estimulando um burburinho muito positivo perante a crítica. Depois de terem mostrado o single “She Will”, é lançado no dia 6 de maio o primeiro trabalho de longa duração, “Silence Yourself”, que tem sido muito bem recebido.
Subsiste uma tensão sombria e sedutora em músicas como Shut Up”, “She Will”, “Hit Me” ou “No Face”.
Experimentem “Silence Yourself”, é um dos melhores remédios para 2013.

Tracklist:

01 Shut Up 
02 I Am Here 
03 City's Full 
04 Strife 
05 Waiting for a Sign 
06 Dead Nature 
07 She Will 
08 No Face 
09 Hit Me 
10 Husbands 
11 Marshal Dear

Savages “Silence Yourself” (Matador Records/Pop Noire) – 7,5/10

“Shut Up” é o último single e vídeo a ser desvendado. 

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Jello Biafra & the Guantanamo School of Medicine “White People and the Damage Done”


Este é um disco de anti-austeridade, entre música totalmente vertiginosa e palavras furiosas, a um desastre político externo em que Jello Biafra ataca a todos os responsáveis que incentivaram à toda a crise económica, mas a sociedade também continua ser um alvo favorito do músico norte-americano.
The Audacity of Hipe” (2009), foi a estreia de Jello Biafra pelos the Guantanamo School of Medicine, um álbum poderoso, com o som mais duro e puro do punk, mas também pelas palavras assustadoras violentas que Biafra nos sempre acostumou, já desde o tempo dos míticos DeadKennedy’s. Continuou a jornada com o EP “Enhanced Methods of Questioning” (2011), e este ano é lançado o segundo álbum de longa duração, White People and the Damage Done”.
Este registo, na minha opinião, é um dos seus melhores trabalhos pós-Dead Kennedy’s, rico em riffs e de ritmo, com um alinhamento totalmente generoso de músicas absolutamente envolventes. The Brown Lipstick Parade é o ponto de partida para um grande disco de excelentes músicas, num ambiente satírico à corrupção. O veloz “John Dillinger”, um tema magnífico e inteligente, um tema sobre o abuso e a desigualdade económica. A irreverência vocal e selvagem de Biafra em “Werewolves of Wall Street”, passando pelas vertiginosas “Road Race” e “Mid-East Peace Process”, aqui a brincar literalmente ao punk.  
Uma das minhas favoritas “Hollywood Goof Disease”, irreverente, em camadas vigorosas. “Crapture” a ridicularizar os fanáticos da igreja católica que aguardam a todo o instante o fim do mundo, enquanto “Shock-U-Py!” dá uma valente biqueirada ao movimento “Occupy”.
Está aqui todo o engenho e genialidade de Biafra, uma das mais importantes personalidades e representativas do movimento punk.  

Tracklist:

01. The Brown Lipstick Parade
02. John Dillinger
03. Werewolves of Wall Street
04. Road Rage
05. Mid-East Peace Process
06. Hollywood Goof Disease
07. White People and the Damage Done
08. Crapture

09. Burgers of Wrath
10. Shock-U-Py!

Jello Biafra & the Guantanamo School of Medicine “White People and the Damage Done” (Alternative Tentacles) – 8,5/10

Fica para audição The Brown Lipstick Parade eMid-East Peace Process”.





segunda-feira, 22 de abril de 2013

Wire “Change Becomes Us”


Não será muito exagerado referir que “Change Becomes Us” é melhor álbum dos ingleses Wire, desde o elogiadíssimo “154” (1979). 
A banda inglesa carrega no currículo três álbuns históricos, “Pink Flag” (1977), “Chairs Missing” (1978), e “154” (1979), encarados como uma referência para o punk e um importante impulso para o post-punk. Após o enorme sucesso destes álbuns, a banda termina em 1980, reunindo-se depois em 85, lançando até ao início dos anos 90 seis discos, nenhum deles alcançando o sucesso dos três primeiros. Voltam a separar-se, regressando em 99, e desde aí a banda liderada por Colin Newman entra na nova década, surpreendendo com o lançamento de notáveis registos, tais como “Send” (2003), “Object 47” (2008), e agora este “Change Becomes Us”.
Este disco foi produzido pela própria banda, e foi fundamentado em ideias e composições durante em ensaios feitos entre o período de 79 e 80. Acho-o um registo bastante inteligente e com músicas tecnicamente muito boas, de extrema qualidade. Seguindo pelo um alinhamento mais contemporâneo, deparamos quase com uma homenagem aos três primeiros álbuns, documentado aqui num só disco.
A sublinhar o punk aceso nos temas “Doubles & Trebles”, “Adore Your Island”, o estupendo “Stealth Of A Stork” e “Love Bends”. As restantes aderem pelo um caminho mais experimental, muitas delas carregadas de melancolia como é o caso de “Re-invent Your Second Wheel” ou “& Much Besides”. Também encontramos alguma estrutura psicadélica em canções como “B/W Silence”, “Keep Exhaling” ou “As We Go”. “Eels Sang” a reviver o punk dos Talking Heads, “Magic Bullet” e “Time Lock Fog” são outros a destacar. Está aqui garantido a tradição e a energia da música dos Wire, um dos seus catálogos mais desafiadores, interessantes e atraentes, de toda a carreira da banda britânica.
Este é sem dúvida para estar na lista dos melhores do ano!

Tracklist:

01. Doubles & Trebles
02. Keep Exhaling
03. Adore Your Island
04. Re-invent Your Second Wheel
05. Stealth Of A Stork
06. B/W Silence
07. Time Lock Fog
08. Magic Bullet
09. Eels Sang
10. Love Bends
11. As We Go
12. & Much Besides
13. Attractive Space

Wire “Change Becomes Us” (Pink Flag) – 9/10

Fica para audiçãoDoubles & Trebles” e “Stealth Of A Stork”.



segunda-feira, 15 de abril de 2013

David Bowie “The Next Day”


Este ano fomos surpreendidos com o regresso aos discos de David Bowie, após uma década de abandono à música. Foi no dia do seu 66º aniversário, 8 de janeiro, que foi mostrado ao mundo “Where Are We Now?”, o single que antecipava “The Next Day”, o primeiro álbum desde “Reality” (2003).
Como afirmou Tony Visconti (o produtor do disco), à Rolling Stone, “Se as pessoas estiverem à procura de Bowie clássico, vão encontra-lo neste álbum. Mas se estiverem à procura de um Bowie inovador, com novas direcções, também vão o encontrar neste álbum.” É o Bowie no passado, no presente e no futuro. Por isso temos um disco recheado de lembranças, principalmente no período em que viveu em Berlim, em que o músico resolve aderir a um registo mais experimental em colaboração com Brian Eno, inspirando-se na música nova da Alemanha, mais precisamente em bandas como os NEU!, Harmonia e Kraftwerk, resultando na edição de uma trilogia: “Low” (1977), “Heroes” (1977) e “Lodger” (1979). É por isso que The Next Day” resgata a imagem da capa do álbum “The Heroes”, sobreposta apenas com um quadrado branco e o título, e que refere o “esquecimento ou obliteração do passado”. A produção da capa ficou a cargo de Jonathan Barnbrook, o mesmo que também projectou de “Heathen e Reality”.
O disco está atestado de grandes músicas, tais como os dramáticos Where Are We Now?” e “You Feel So Lonely You Could Die”, “Dirty Boys” a soar a um Tom Waits – um canto fúnebre escoltado pelo saxofone. O atraente “The Stars (Are Out Tonight)”, “Love is Lost”, a traumática “I’d Rather Be High”, o acelerado “Dancing Out In Space”, o elegante “How Does The Grass Grow?”, “(You Will) Set the World On Fire”, uma das suas melhores músicas rock, e por fim o assombroso “Heat”.
Estamos perante um dos melhores discos de Bowie, nisso não temos qualquer dúvida.

Tracklist:

01. The Next Day
02. Dirty Boys
03. The Stars (Are Out Tonight)
04. Love Is Lost
05. Where Are We Now?
06. Valentine’s Day
07. If You Can See Me
08. I’d Rather Be High
09. Boss of Me
10. Dancing Out In Space
11. How Does the Grass Grow?
12. (You Will) Set the World On Fire
13. You Feel So Lonely You Could Die
14. Heat

David Bowie “The Next Day” (Sony Music, ISO Records) – 8,5/10

Fica aqui o último single – “The Stars (Are Out Tonight)” – também um dos meus favoritos deste álbum. O video conta com a participação da actriz britânica Tilda Swinton.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Chelsea Light Moving “Chelsea Light Moving”


Agora alheio aos Sonic Youth, Thurston Moore enverga pelo um novo projecto ao lado de Samara Lubelski (Demolished Thoughts), John Moloney (Sunburned Hand of the Man) e Keith Wood (Hush Arbors), denominado de Chelsea Light Moving, nome que nasceu de uma sociedade referente ao movimento de contracultura dos anos 60, fundada por Philip Glass e Steve Reich.
Moore continua seguro nas suas origens, o noise e o rock alternativo continuam a fazer parte da sua música, mas neste “Chelsea Light Moving” ficamos para já convictos que não adere ao mesmo caminho dos Sonic Youth, descobrindo um pouco mais de intensidade, algo mais denso e agitado. Não é um disco que desilude, pelo contrário, a música é muito bem projectada e refinada. Existe aqui uma tentativa de Moore escapar do registo dos Sonic Youth, e por isso foi preciso arriscar noutros géneros, com referências do avant-garde, o grunge, o hardcore ou até mesmo o metal, desemboca numa chocante nova identidade.
O álbum abre com “Heavenmetal”, uma das músicas mais fáceis de digerir, evocando desgosto e alegria, com guitarras levemente mais calmas entre um baixo arrojado e um refrão generoso – "Be a warrior and love life”. A partir daqui tudo altera, “Sleeping Where I Fall” dá o impulso, mudando bruscamente de acordes. A guitarra de Moore excede-se em alguns momentos em “Alighted” e em “Empires of Time”, arrasando em todas as direcções. Mas os melhores momentos do disco passam por “Groovy & Linda”, desarmonioso e obscuro e que conta a história de uma casal hippie de namorados mortos a tiro no ano de 1967, e “Burroughs”, uma excelente música rock. O Punk furioso em “Lip”, debaixo do refrão “fuck the world”, e “Mohawk” aumentado ainda mais de intensidade emocional, quase a fazer uma referência aos Velvet. Para finalizar, o poderosíssimo “Communist Eyes”, homenageando o hardcore do início dos anos 80.
Um álbum agradavelmente confuso.

Tracklist:
01. Heavenmetal
02. Sleeping Where I Fall
03. Alighted
04. Empires of Time
05. Groovy & Linda
06. Lip
07. Burroughs
08. Mohawk
0
9. Frank O'Hara Hit
10. Communist Eyes
Chelsea Light Moving “Chelsea Light Moving” (Matador Records) – 8/10

Fiquem com “Burroughs”, um dos melhores momentos deste álbum. 

segunda-feira, 18 de março de 2013

How to Destroy Angels “Welcome Oblivion”



Provisoriamente ausente dos Nine Inch Nails, Trent Reznor instala-se agora no seu novo projecto - How to Destroy Angels - ao lado da sua mulher Mariqueen Maandig e Atticus Ross.
Reznor arrisca em texturas electrónicas mais intimistas e futuristas, muito perto das bandas sonoras, "The Social Network" (2010) e "The Girl With the Dragon Tattos" (2011), que produziu ao lado de Ross. Os aclamados EP’s “How to Destroy Angels” (2010), e “An Omen” (2012), já revelavam o percurso em que Reznor queria levar, uma sonoridade electrónica mais minimal e experimental, aliviada pela voz versátil e sensual de Maandig.
Esse novo universo electrónico cativou-me. No desafiante e experimental Keep it Together” arranca a expressar - “I feel the skin that separates us”dominado por um synth sombrio e sinistro. Na canção “Welcome Oblivion” podemos encontrar alguns fragmentos dos NIN, densa, enquanto a exótica “Ice Age” é uma das músicas mais atraentes deste álbum, passando aqui despercebido os ambientes electrónicos. Em “On the Wing” e “Too Late, All Gone”, já os sintetizadores dominam, em formato quase sinistro. O cativante single de apresentação, “How Long?”, faz quase reviver os Morcheeba entre um clima muito aliciante e hipnótico. “Strings and Attractors” é infalivelmente apaixonante entre uma textura electrónica intensa, e “Recursive Self-Improvement”, explora pelo instrumental, formalmente adequada para um novo trabalho cinematográfico.
Vale a pena deixar-nos fluir por todo esse espírito e sensualidade de “Welcome Oblivion”.


Tracklist:

01. The Wake-Up
02. Keep it Together
03. And the Sky Began to Scream
04. Welcome Oblivion
05. Ice Age
06. On the Wing
07. Too Late, All Gone
08. How Long?
09. Strings and Attractors
10. We Fade Away
11. Recursive Self-Improvement
12. The Loop Closes
13. Hallowed Ground

How to Destroy Angels “Welcome Oblivion” (Columbia Records) – 7/10

Dirigido por Shynola, fica o primeiro vídeo How Long?”.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Nick Cave and the Bad Seeds “Push the Sky Away”


Já com 40 anos de carreira, permanece a criatividade e a elegância imponente na música de Nick Cave, que em fevereiro lançou “Push the Sky Away”, o 15º álbum pelos The Bad Seeds. Nestes últimos tempos o músico australiano teve mais ocupado com o seu mais recente projecto – Grinderman – seguindo pelo rock n’ rol mais alienado e selvático, um humor muito diferente do que fez nos Bad Seeds, estando mais perto dos The Birthday Party, uma das suas primeiras bandas. A verdade é que não ficou só pelos Grinderman, Cave junta-se a Warren Ellis para construir algumas bandas sonoras, sendo a última – Lawless – lançada o ano passado.
Cave tem tendência de regressar à fase mais melancólica dos Bad Seeds, a impulsionar um ambiente mais dramático, romântico e sensível, enquanto ao anterior álbum, “Dig, Lazarus, Dig!!!” (2008), um pouco discrepante dos registos anteriores, adoptou por um som mais fervilhante, abrasivo, replecto de ruído e intenso, talvez ainda dominado pela atmosfera dos Grinderman.
Produzido por Nick Launay, “Push the Sky Away” é o primeiro álbum gravado sem Mick Harvey, um dos fundadores dos Bad Seeds. Nick Cave e Warren Ellis são agora a principal estrutura da banda, renovando e intercalando novas texturas, mas nunca suspendendo a sonoridade familiar e perversa dos Bad Seeds. Barry Adamson é outra das surpresas neste disco, regressando à banda depois de Your Funeral… My Trial” (1986), o último trabalho em que o músico participou.
Em “We No Who U R”, ouvimos Cave a cantar “and we know who you are, and we know where you live, and we know there’s no need to forgive again”, muito perto da musicalidade de "Your Funeral, My Trial". “It''s darker and closer to the end” vem de “Wide Lovely Eyes”, uma das músicas mais assombrosas do disco, enquanto “Water’s Edge” intimida-nos para um lugar mais sinistro, a rebuscar o ambiente dos primeiros álbuns.“Jubilee Street” é dramático e belo, destacando a guitarra de Ellis e o violino. “Mermaids" é o mais humorado, mas também o mais obsceno, uma canção de amor e um lamuriar romântico sobre a ausência de um lugar mítico na vida espiritual do Ocidente. Instantaneamente tenso, “We Real Cool”, através de um violino e um baixo vibrante, absolutamente emocional. O blues de “Higgs Boson Blues”, um dos melhores momentos do álbum e o sereno “Push The Sky Away”, tema lindíssimo mas amargurado.
Acreditem, é um álbum fantasticamente belo!!

Tracklist:

01. We No Who U R
02. Wide Lovely Eyes
03. Water’s Edge
04. Jubilee Street
05. Mermaids
06. We Real Cool
07. Finishing Jubilee Street
08. Higgs Boson Blues
09. Push The Sky Away

Nick Cave and The Bad Seeds “Push the Sky Away” (Bad Seed Ltd.) – 9/10

“Jubilee Street” é o segundo single, uma canção e um vídeo maravilhoso, dirigido por John Hillcoat.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

My Bloody Valentine “M B V”


Apostar num herdeiro de “Loveless” (1991), poderia ser desastroso, mas não foi isso que sucedeu. Recorde-se que “Loveless”, mesmo não obtendo grande sucesso comercial, foi muito bem recebido pela crítica e considerado como uma importante referência para o estilo Shoegazing, e ainda visto como um dos melhores discos da década de 90. Foi o segundo e último registo de longa duração dos MBV.
Após 22 anos de ausência, o objectivo central de Kevin Shields de regressar, não foi só de prosseguir com a textura sonora que consagrou a banda de Dublin, mas também inovando. Foi em 2007, que os My Bloody Valentine regressam ao activo para uma série de concertos, anunciando mais tarde que estavam a trabalhar em novo material, que viria agora a ser lançado pela Pickpocket, apelidado de “M B V”.
Na abertura do disco, somos instantaneamente seduzidos por “She Found Now”, música que podia descobrir-se em “Loveless”, com guitarras saciadas num ambiente calmo e doce. Com “Only Tomorrow” voltamos a reviver a voz de Bilinda, a envolver-se em camadas de distorção, mas num registo mais melodioso, o mesmo acontece com “Who Sees You”, mas pela voz de Shields pertíssimo dum sussurro. A atmosfera hipnótica persiste com “Is This and Yes”, aqui intervindo o órgão e a voz mimada de Bilinda, quase a recordar a sonoridade dos Stereolab. “If I Am” e “New You”, familiarizam-se com a sonoridade de “Loveless”, bem presente a identidade de Shields. Parece que não saímos dos anos 90, mesmo que “In Another Way” se esforce por ser mais moderna, é uma excelente música, profundamente desestabilizadora. O ritmo aumenta com a instrumental “Nothing Is”, entre batidas pesadas e guitarras hipnóticas. Em “Wonder 2” parece que somos introduzidos no meio de uma pista de aviões entre uma experiência de breakbeats, cravado em barulho, talvez a música menos conseguida do álbum, mas densa de criatividade.
“M B V” não será tão marcante como “Lovelles”, mas persiste toda a sequência de inspiração de Shields, e isso para mim é suficiente.

Tracklist:

01. She Found Now
02. Only Tomorrow
03. Who Sees You
04. Is This and Yes
05. If I Am
06. New You
07. In Another Way
08. Nothing Is
09. Wonder 2

My Bloody Valentine “M B V” (Pickpocket) – 9/10

Fica para escuta dois temas que muito me seduziram neste novo álbum, “In Another Way” e “She Found Now”.



segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Tomahawk “Oddfellows”


Após Mike Patton apostar numa sonoridade mais experimental, dentro da música nativo americano com Anonymous” (2007), está de regresso com o rock mais agressivo e alternativo dos dois primeiros discos dos Tomahawk: “Tomahawk” (2001) e “Mit Gas” (2003).
Super banda formada por Patton (Faith no More, Fantômas, Mr. Bungle), Duane Denison (The Jesus Lizard, Unsemble), John Stanier (Helmet, Battles) e Kevin Rutmanis (Melvins), este último substituído agora por Trevor “field mouse” Dunn (Mr. Bungle, Fantômas), tentam provar com “Oddfellows”, que o dinamismo contagiante do rock, continua bem entranhado nas suas veias. Pela maioria da crítica, “Oddfellows” é o melhor álbum da banda até a data, e concordo, mesmo gostando bastante da fase indígena de Anonymous”. É um disco que respira e conquista, manifestado por uma presença forte de sensações, especialmente para o mais inquieto.
O tema de abertura é brindado por Oddfellows”, num ambiente sinistro, sedutor, elegantemente bem arquitetado, enquantoStone Letter” segue imediatamente pelo rock padrão, vertiginosamente intenso. I.O.U.” podia-se familiarizar na atmosfera dos Fantômas, simultaneamente mais nebulosa e medonha. “A Thousand Eyes” envolve-se numa intensa neblina através de uma voz oriental imponente e distante.
Dentro registo mais experimental podemos descobrir “Rise Up Dirty Waters”, aqui numa fusão entre o rockabilly e o jazz, já “The Quiet Few” emboca num rock experimental alucinado, muito apropriado a Patton. Aqui entra um dos temas que mais absorvi neste disco, o épico “South Paw”, pujante, cheio de garra e energia. Entre o blues e o rock meio provocador, está “Choke Neck”, onde as guitarras caracterizam e a voz propaga-se. Adaptado para uma banda sonora de um filme noir, está “Baby Let's Play___”, desembarcando para um registo punk surf e lunático de “Typhoon”.
A referir ainda que a produção da capa do disco ficou a cargo do cartoonista italiano, Ivan Brunetti.
“Oddfellows” hospedou-se indiscutivelmente numa zona de conforto.

Tracklist:

01. Oddfellows
02. Stone Letter
03. I.O.U.
04. White Hats/Black Hats
05. A Thousand Eyes
06. Rise Up Dirty Waters
07. The Quiet Few
08. I Can Almost See Them
09. South Paw
10. Choke Neck
11. Waratorium
12. Baby Let's Play___
13. Typhoon


Tomahawk “Oddfellows” (Ipecac) – 7,5/10

Como já aqui mostrei o primeiro single e vídeo desvendado, “Stone Letter”, deixo para audição duas das minhas favoritas canções “Oddfellows”, “South Paw” e “Rise Up Dirty Waters”.


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

New Order “Lost Sirens”


Foi editado pela Rhino no dia 14 de janeiro, “Lost Sirens”, o novo trabalho dos New Order, embora todas canções sejam rebuscadas das sobras do último trabalho da banda britânica - “Waiting for the Sirens' Call” (2005).
Após o último disco, Peter Hook desvincula-se da banda por motivos de alguma frustração e de desentendimentos com os restantes membros. Em 2007 os New Order desaparecem devido a essas lacunas entre Hook e Bernard Summer. Desde aí Summer forma os Bad Lieutenant, lançando o álbum de estreia “Never Cry Another Tear” (2009), e Hook junta The Light ao seu nome, lançando em 2011 um EP com novas versões dos Joy Division e fazendo inúmeros concertos, promovendo a música da banda de Ian Curtis, e mais recentemente os primeiros discos dos New Order.
Em 2011 com o retorno anunciado dos New Order, mas sem a presença de Hook, foi então anunciado o lançamento de “Lost Sirens”, oito canções desaproveitadas e inéditas de “Waiting for the Sirens' Call”.
Nesse alinhamento podemos encontrar Hellbent, música não totalmente desconhecida, já que encontra-se na compilação, “Total: From Joy Division to New Order” (2011), e que justifica estar neste registo. I’ll Stay With You” é provavelmente o melhor single, inteiramente energético, combinado pelo pop, rock e o eletrónico, sonoridade definida pela banda na década de 80. “Lost Sirens” até foi muito bem recebido pela crítica, chegando Andy Gill (um dos jornalistas mais reputados do The Independent's), afirmar que este álbum superava Waiting for the Sirens' Call", recomendando Sugarcane”, “I Told You So” e “Hellbent”, como as melhores músicas do disco.
Não é o melhor disco, mas é sempre um prazer enorme sentir que a música dos New Order ainda subsiste.

Tracklist:

01. I’ll Stay With You
02. Sugarcane
03. Recoil
04. Californian Grass
05. Hellbent
06. Shake It Up
07. I’ve Got A Feeling
08. I Told You So
New Order “Lost Sirens” (Rhino/Warner) – 6,5/10

"I’ll Stay With You” é um dos meus singles favoritos deste mini álbum, e com ele que quero que fiquem.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Veronica Falls “Waiting For Something to Happen”


No dia 4 de fevereiro é lançado o segundo trabalho dos escoceses Veronica Falls, que em 2011 nos presentearam “Veronica Falls”, o inspiradíssimo e o entusiástico álbum de estreia. As críticas foram muito positivas, deixando-os bastante mais compenetrados e confiantes em relação à produção de um novo disco.
Inspirados pelo pop vintage dos anos 60 e o noise, devido à grande envolvência ruidosa das guitarras, combinando ainda influências dos My Bloody Valentine e dos Smiths.
Em 2013 surge mais um par de singles, não os achando tão irresistíveis como ao do álbum anterior, mas a voz romântica e agridoce de Roxanne Clifford, consegue embelezar espontaneamente cada música.
“Waiting For Something to Happen” é um álbum mais arrojado e limpo, procurando evoluir por outros caminhos, como o indie rock, e numa linha mais discreta o jangle-pop e o dream-pop, é a nova essência deste segundo disco. O primeiro single “Teenage” é a prova de que algo mudou, que foi acrescentado às canções mais vida e harmonia, a evoluir para uma entidade mais pop. O guitarrista James Hoare participa vocalmente mais neste disco, “Tell Me” é uma das músicas em que a sua voz se mistura com a de Clifford, fazendo-me recordar momentos de os Fairport Convention, na fase mais rock, onde muitas vezes Sandy Denny e Richard Thompson intercalavam a sua voz. “My Heart Beats”, música que ficou de fora no primeiro disco e que foi agora resgatada, perfeita agora para brilhar neste alinhamento. Destaca-se também “Shooting Star”, uma das minhas favoritas, “Buried Alive”, “So Tired”, e o melodioso “Daniel”.
Um disco agradável, para inaugurar o ano!

Tracklist:

01. Tell Me
02. Teenage
03. B
roken Toy
04. Shooting Star
05. Waiting For Something To Happen
06. If You Still Want Me
07. My Heart Beats
08. Everybody's Changign
09. Buried Alive
10. Falling Out
11. So Tired
12. Daniel
13. Last Conversation
Veronica Falls “Waiting For Something To Happen” (Bella Union) – 6,5/10

Eis o vídeo “Teenage”, a canção de apresentação deste álbum.