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segunda-feira, 29 de abril de 2013

The Three Johns “The World by Storm”


"We're not a socialist band. We're a group of socialists who are in a band. It's a fine distinction but an important one." The Three Johns

O post-punk como sonoridade base, os The Three Johns são também conhecidos pelas letras reivindicativas e socialistas.
A banda inglesa liderada por Jon Lagford (The Mekons), por John Hyatt e Phillip "John" Brennan, estreia-se em 1984 com o seu primeiro álbum de longa duração – Atom Drum Bop – adquirindo criticas muito positivas, considerado hoje, o seu melhor registo. Mas foi com o álbum seguinte, “The World by Storm”, que fiquei completamente deslumbrado por esta magnifica banda. Absolutamente poderoso, com músicas totalmente sedutoras e palavras ferozes. “The World by Storm” foi considerado um disco favorável pela crítica, com uma boa colecção de canções, contendo três dos seus melhores e célebres singles: “Sold Down The River”, “Death Of The European e “Atum Drum Bop”.
Para além destes singles, merecem destaque ainda as canções  e ““King Car”, a furiosa “Demon Drink”, “Johnny, The Perfect Son”, “Torches of Liberty”, “The Ship That Died of Shame”, "The World by Storm”, ou seja, praticamente todas.
Talvez pela exaltação na altura das bandas do movimento de rock alternativo de Manchester (Madchester), os The Three Johns nunca conseguiram alcançar o sucesso que bem mereciam.
Para além The World by Storm” fica aqui também como sugestão “Atom Drum Bop”, outro álbum a consumir obrigatoriamente.

The Three Johns “The World by Storm” (Abstract_1984)

Deste formidável disco, recordo “Atum Drum Bop e “Johnny, The Perfect Son”, dois excelentes singles.



segunda-feira, 25 de março de 2013

Bo Diddley “Bo Diddley”


For anyone who wants to play rock & roll, real rock & roll, this is one of the few records that you really need. Along with Chuck Berry, Elvis, Little Richard, Jerry Lee Lewis and Gene Vincent and a few select others, Bo Diddley was one of the founders of the form — and he did it like no other. Released in 1958, Bo Diddley is one of those records that, after listening to just a few cuts, will find you tapping the beats on every available surface. Diddley’s guitar and vocals have a gruff feeling that recalls bluesmen such as Muddy Waters, yet he has his own style. Buttressed by drums, funky piano, and usually maracas, it’s absolutely infectious. This is one of the greatest rock sounds that you’re likely to hear, and it’s all on this one record too.Allmusic

Um disco marcante e indispensável para todos aqueles que veneram o genuíno rock n’ rol.
Bo Diddley foi um revolucionário do blues e até mesmo do rock, seguindo por um caminho um pouco diferente de outros músicos dessa fase, como Chuck Berry, Elvis Presley, Little Richard, Jerry Lee Lewis, Muddy Waters e de BB King, dando outro impulso e intensidade rítmica.
Este foi o primeiro registo gravado por Diddley para a Chess Records, onde incluía alguns dos seus maiores êxitos, como “Bo Diddley”, “I'm a Man”, “Who Do You Love”, “Pretty Thing”, “Hey Bo Diddley” e “Hush Your Mouth”. Este álbum é considerado uma compilação, já que junta algumas músicas lançadas pelo músico norte-americano desde 1955. Mais tarde, o álbum foi reforçado com mais 8 canções, sendo elas lados B dos singles lançados. “Bo Diddley” tornou-se assim num registo fundamental, uma influência para imensos músicos e bandas, Buddy Holly, Jimmy Hendrix, U2, The Jesus & The Mary Chain, e entre outros.

Bo Diddley “Bo Diddley” (Chess_1958)

Bo Diddley” é um dos meus singles escolhidos para representar este registo fantástico. 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

John Cooper Clarke “Snap, Crackle And Bop”


"Fuckin' around, is a social disease." John Cooper Clarke

Um disco em que as palavras evidenciam-se mais do que a música, sentindo-se especialmente a poesia.
O britânico John Cooper Clarke apareceu no florescimento do punk, nos finais dos anos 70. Apaixonado pela poesia e com o movimento punk a começar a ganhar força, Clarke começou a recitar os seus poemas em alguns clubes de Manchester, aliciando imenso o público mais focado para a cena punk, pela sua poesia rápida, inteligente e bem-humorada. Rotulado por “O Poeta Punk”, lança em 1978 o seu primeiro registo - Disguise in Love – inaugurando seguidamente alguns espectáculos de bandas como os The Fall, The Buzzcocks, The Clash, Sex Pistols e Joy Division.
Definitivamente “Snap, Crackle And Bop” (1980), é o seu álbum mais aplaudido, iluminando e impulsionando ao punk algo discrepante. Assim como aconteceu com “Disguise in Love”, os The Invisible Girls voltam a apoiar John Cooper Clarke musicalmente e também na produção, por Martin Hannett. A música ajusta-se impecavelmente com o desempenho poético, estimulando Clarke a uma abordagem mais musical, chegando perigosamente perto de cantar em alguns momentos, como por exemplo em "Conditional Discharge” ou em "Thirty Six Hours".
O disco presenteia excelentes momentos, tais como "Conditional Discharge”, “23rd”, "Thirty Six Hours", "The It Man" ou “Evidently Chickentown", este último um dos maiores clássicos, recitando frases como: “The bloody drains are bloody fucked”, “stuck in fucking chicken town”.
E assim John Cooper Clarke conseguiu poetizar o punk.

John Cooper Clarke “Snap, Crackle And Bop” (CBS_1980)

E é com “Evidently Chickentown", que aqui promovo este excelente disco.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Sparks “Kimono My House”



“When you’ve got a nice ballad, you really gotta try and ruin it.” Russell Mael, 1975.

Kimono My House” foi o terceiro álbum e aquele que teve efectivamente mais impacto na carreira dos norte-americanos Sparks.
Após terem gravado dois álbuns pela Bearsville Records, os irmãos Ron e Russell Mael, mudam de editora assinando pela Island Records em 1973, acabando por ser lançado no ano seguinte “Kimono My House”, nome inspirado na música “Come on-a My House” de Rosemary Clooney. Produzido por Muff Winwood, o álbum nascia num período em que o glam rock dominava em Inglaterra, encaixando-se perfeitamente nesse género actual, num teor mais experimental entre o rock e o electrónico, algo que David Bowie e os Roxy Music já confeccionavam. O disco não teve grande sucesso nos Estados Unidos, ao contrário da Europa  tendo um impacto muito significativo, principalmente no Reino Unido, que rendeu-se às canções bem-humoradas e vanguardistas dos dois irmãos. Para além da música, também a imagem desproporcionada dos dois, causou um grande impacto perante o público. A figura sisuda, juntamente com o bigode à “Hitler” de Ron, e o extravagante e energético Russel, deram também uma sensação muito interessante a toda a essa encenação musical.
This Town Ain't Big Enough For Both Of Us” e “Amateur Hour”, foram os singles que praticamente popularizaram o álbum, chegando a alojar-se no topo das tabelas de vários países da europa. As críticas elogiosas não ficaram apenas nestes dois temas, também os “Thank God It’s Not Christmas” e “Hasta Mañana, Monsieur”, aliciaram imenso o público. Os Sparks antecipam o new-wave e o punk com “Talent is an Asset”, e terminando com “Equator”, com contornos jazzísticos e vocais operísticos, outras das duas músicas a destacar forçosamente.
Kimono My House” foi muito marcante na minha adolescência, tal como foi para Kurt Cobain, sendo um dos seus discos favoritos. Também influenciou inúmeros músicos e bandas, como Morrissey, Franz Ferdinand, Arcade Fire, Cait Brennan, MGMT, e entre outros. Também foi um dos registos selecionado para os "1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer", um livro criado por Robert Dimery, o co-fundador da Revista Rolling Stone.

Sparks “Kimono My House” (Island_1974)

“This Town Ain't Big Enough For Both Of Us” foi o primeiro single responsável para o sucesso deste disco. Eis o vídeo.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

The Specials “The Specials”

 
Este seria o primeiro disco que viria a liderar o rótulo 2 Tone, e a ser um dos mais importantes de um movimento denominado pelo ska, sobretudo em Inglaterra.
Foi então no ano de 1979 que foi lançado o álbum de estreia dos britânicos The Specials, “The Specials”, pela etiqueta 2 Tone, fundada por um dos membros da banda, Jerry Dammers. O reggae jamaicano, ajustado com o jazz e com alguma atitude do punk, foram os ingredientes fundamentais para a geração de uma sonoridade ao qual rotularam como 2 Tone, ou como a segunda geração do ska. A postura da banda também ficou conhecida pelas mensagens políticas e sociais, algo não muito assinalado por outras bandas de ska.
Foi com o single “Gangsters” que os The Specials se revelaram, conseguindo de imediato cativar o público, seguindo de imediato o LP “The Specials”, mostrando como primeiro single “Too Much Too Young”, entrando de imediato no primeiro lugar das tabelas inglesas. A música tinha como principal mensagem a prematura gravidez e casamento dos adolescentes, onde o vocalista Terry Hall impulsiona a indignação do tema promovendo a contracepção. “Too Much Too Young” foi lançado em formato single, onde continha “Gangsters” como lado B, single esse que ficou descaradamente fora do álbum, adicionado depois a edições posteriores.
Neste álbum a banda mostrava também as suas influências jamaicanas com versões de músicas como "A Message to You, Rudy", de Dandy Livingstone, "Monkey Man", dos Toots & the Maytals ou "Too Hot" de Prince Buster.
Este registo é enriquecido por imensos temas, para além daqueles que já falei, também o despreocupado "Night Club" - ("Eu não tenho que trabalhar / Não há trabalho para fazer!") – o apreensivo "Concrete Jungle", "It's Up to You" e "Doesn't Make It Alright", deixando-nos integralmente assombrados. Mesmo produzido por Elvis Costello que administrou algum brilhantismo às músicas, não podemos ignorar sobretudo o talento e a concepção de uma banda que viria a ser um estímulo para bandas como os Madness The Selecter, The Beat, Bad Manners e os The Bodysnatchers.
Temos que reconhecer que “The Specials” é sem dúvida um dos melhores álbuns de ska lançados até aos dias de hoje.

The Specials “The Specials” (2 Tone Records)

Abaixo podem então ver, ouvir e dançar “Gangsters” e ainda, “Too Much Too Young”.



segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Secret Chiefs 3 “Book M”


Tema centrado em torno do Santo Graal, “Book M” é um dos meus arquivos sonoros essenciais, e uma das obras mais importantes da banda norte-americana.
Projecto criado por Trey Spruance (Mr. Bungle), é o terceiro álbum dos Secret Chiefs 3, atestado de momentos mais étnicos, numa vasta série de estilos musicais, incluindo a música tradicional árabe (persa, turca, indiana, iraniana), o electrónico, o jazz, o metal, funk e ainda o medieval, tudo caracterizado por avant-garde, sonoridade que qualifica o estilo da banda. Toda essa combinação faz da banda de Spruance, excessivamente criativa e visionária, que faz os seus álbuns beneficiar imenso com isso.
A ousada viagem ao ocultismo, é encetada pelo étnico "Knights of Damcar", num sortido leque de instrumentos: o darbuka e o dumbek (dois instrumentos de precursão tradicionalmente asiáticos), riq (um pandeiro egípcio), santur (tipo uma caixa com cordas, da pérsia), saz (instrumento de cordas tradicional da Turquia), e o contrabaixo. Noutro registo mais divergente, está o electrónico mais esquizofrénico de "Hagia Sophia”, passando ao “Vajra”, sobressaindo a guitarra, o santur (creio), e o violino. “Ship of Fools (Stone of Exile)”, uma valsa acompanhada por Tar (guitarra iraniana), Cümbüş Mandolin (bandolim de oito cordas turco) e ainda Cubas Baglama (guitarra de pescoço longo, turco). Uma das minhas favoritas, “Horsemen of the Invisible”, energética, intercalada com o ambiente eléctronico e os ritmos do médio oriente. "Zulfiqar III" puxa pelas guitarras, numa percussão exótica, e "Siege Perilous" (Salterello IV), entra num ambiente mais medieval, rebuscando uma música bem popular desse tempo. Mas existe ainda outras maravilhas a incluir neste registo, “Dolorous Stroke”, “Blaze of the Grail” numa relação muito perto do jazz, “Lapist Exillis”, “Lapis Bailtulous”, e por fim, “Safina”.
Um disco sem regras, mas de uma musicalidade imensa!

Também sugiro: “Book of Horizons” (2004).

Secret Chiefs 3 “Book M” (Mimicry_2001)

 Para ouvir “Horsemen of the Invisible”.
 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Dog Faced Hermans “Hum of Life”


Everyday Timebomb” (1989) eHum of Life” (1993), são os dois registos dos Dog Faced Hermans, que mais me deslumbraram. O punk, o noise e o jazz dominam a sonoridade, num ambiente bem alucinante e entusiástico. A guitarra e o baixo intenso, embrulhados com o trompete e o saxofone, fazem deste registo um pouco divergente, para além da poderosa voz e predominante de Marion Coutts. O anarcho-punk ou avant-punk, como são designados, fazem desta banda escocesa pouco convencional, talvez por isso nunca terem alcançado o sucesso merecido. Os Dog Faced Hermans não mostram assim o punk de uma forma simples, os arranjos mais experimentais ou improvisados, numa característica muito usada pelos Captain Beefheart & The Magic Band, transmitem um trabalho bem interessante e inovador.
Logo o tema de abertura, “Jan 9”, numa secção rítmica estonteante, impulsionando imensa exaltação no nosso corpo, é sem dúvida uma das músicas dominantes neste disco.
Outras músicas também de grande destaque, como “Viva”, “How We Connect”, a instrumental “Love Split With Blood”, num ritmo também bastante agitado, ou num ambiente mais psicadélico de “Wings”, “Hear of Dogs” ou “Peace Warriors”.
Os Dog Faced Hermans são inteiramente um projecto bem positivo, formado no ano de 1986 por Andy Moor, após a saída da banda holandesa The Ex, que resistiu apenas 8 anos, mas que permaneceu uma discografia bem interessante, incluindo este “Hurm of Life”.

Dog Faced Hermans “Hum of Life” (Konkurrel Records/A Bomb_1993)

Para escutar “Jan 9”.
 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

The Astronauts “Peter Pan Hits the Suburbs”

“Peter Pan Hits the Suburbs” está na minha lista, como um dos melhores e mais importantes álbuns do movimento post-punk.
Banda londrina, formada entre 77 e 79, inspirados no post-punk, lançou em 79, dois EP’s – “The Astronauts” e “Restricted Hours” – e no ano seguinte mais um EP – “Pranksters in Revolt” – conseguindo conquistar um número bem relevante de seguidores. Mas foi em 81, com o álbum de estreia “Peter Pan Hits the Suburbs”, que os The Astronauts conquistaram a imprensa britânica, recebendo óptimos elogios. Um registo inteligente e intensamente criativo, colocava-o bem na vanguarda da maioria dos álbuns alternativos da época.
É ainda relevante referir outro dos clássicos a destacar na discografia dos The Astronauts, o álbum “It’s All Dony by Mirrors” de 1983, que espero mais tarde falar sobre ele.
Variado, “Peter Pan Hits the Suburbs” inicia com “Everything Stops for Baby”, um brilhante single, recordando a agressividade dos The Fall e acompanhado pelo saxofone. O folk mais progressivo do épico “Protest Song”, seguindo “Sod Us”, num alinhamento mais bem-disposto. O rock enérgico de “The Traveller”, passando pelo ambiente mais cativante do pop com “How Green Was My Valley” e o rock de garagem de “Still Talking”. A medieval Baby Sings Folk Songs”, a industrial How Long is a Pierce of String”, o punk de “Amplified World” e o folk de Midsummer Lullaby”.
Um registo essencial, de uma das bandas mais relevantes da era post-punk, infelizmente, um pouco ignorada, mas que eu aqui lhe faço justiça.

The Astronauts “Peter Pan Hits the Suburbs” (Bugle_1981)

Deixo aqui dois singles para audição, “Everyting Stops for Baby” e Baby Sings Folk Songs”.



segunda-feira, 28 de maio de 2012

The Sonics “Here Are the Sonics!!!”

Este álbum foi um pedaço importante para a história do rock n’ roll, criando depois impacto a bandas como os The Stooges ou aos The Velvet Underground. A verdade é que os norte-americanos The Sonics, são considerados uma das bandas pioneiras do rock de garagem, incentivando depois o inicio do movimento punk.
Neste disco, nas letras das suas músicas originais, a banda fazia referência à cultura adolescente dos anos 60: carros, surf, álcool, rock e sobretudo, as raparigas.
O álbum de estreia - “Here Are the Sonics!!!” – lançado pela Etiquette Records, teve sem dúvida, um enorme impacto para a música que se ouvia naquela altura, dando maior rivalidade e intensidade ao rock.
Podíamos designar “Here Are the Sonics!!!”, como um álbum de covers, já que é composto por doze temas, sendo oito deles versões, incluindo "Roll Over Beethoven" de Chuck Berry, "Do You Love Me" dos The Contours, "Night Time Is the Right Time" de Ray Charles, "Money (That's What I Want)" de Barret Strong ou "Good Golly Miss Molly" de Little Richard. Enquanto aos originais, “The Witch”, “Boss Hoss”, “Psycho” e “Strychnine”, quatro clássicos que fazem deste disco incontornável.
Em 99, o álbum é reeditado pela Norton Records, que vem incluído mais 4 singles,"Keep A Knockin” de Little Richards, "Don't Believe in Christmas", “Santa Claus” e "The Village Idiot" de Jingle Bells.
É um registo que não se pode desprezar, já que é uma referência para a maioria das bandas de ontem e de hoje.

The Sonics “Here Are the Sonics!!!” (Norton Records_1965)

Para a promoção deste álbum, fica o single “Strychnine”, com o vídeo não original.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

The Lounge Lizards “The Lounge Lizards”

Aprecio bastante o jazz, principalmente quando nos deparamos com discos como este. Influenciado pelo new wave e o punk, “The Lounge Lizards” é um álbum absolutamente fantástico, conseguindo fugir um pouco do jazz mais tradicional.
Os The Lounge Lizards formaram-se nos finais dos anos 70, por pelo saxofonista e actor John Lurie (ao qual participou ao lado de Tom Waits e Roberto Benigni em Down by Law, de Jim Jarmusch), o seu irmão Evan Lurie (piano e órgão), o conceituado guitarrista Arto Lindsay, Steve Picolo (baixo) e o baterista Anton Fier (ex-The Feelies). A maioria das músicas do álbum de estreia - “The Lounge Lizards” – lançado em 1981, é liderada por John Lurie, excepto os temas "Well You Needn't" e "Epistrophy" (Thelonious Monk), e produzido por Teo Macero (Miles Davis, Dave Brubeck e Ella Fitzgerald).Podemos descobrir algumas influências mais experimentais de Ornette Coleman ou de Sun Ra, numa sonoridade moderna e sofisticada, seguindo mais a estética do free-jazz e do avant-garde. Músicas solenes, fortes e intensas, que podemos destacar em “Incident On South Street”, na misteriosa “Harlem Nocturne” ou na épica “Do The Wrong Thing”. A hipnotizante “Ballad”, a anárquica “Wangling”, a caótica “I Remember Coney Island” e por fim, a desconcertante “Epistrophy”.
O resultado final é bastante agradável, fazendo deste genial disco, um dos meus favoritos dentro do jazz.

The Lounge Lizards “The Lounge Lizards” (EG Records _1981)

Para ouvir “Do the Wrong Thing”.


E “Incident on South Street”.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Dexys Midnight Runners “Searching for the Young Soul Rebels”

Ainda recentemente, correspondente ao seu 30º aniversário, “Searching for the Young Soul Rebels” foi reeditado, incluindo um CD bónus com B-Sides, remisturas e secções de rádio.
Este disco de estreia dos Dexys Midnight Runners é um clássico, repleto de grandes temas, merecendo a atenção de qualquer indivíduo.
Não foi um disco muito acessível no período que saiu, quando a sonoridade faz uma retrospectiva entre o punk e o soul, mas depois tornou-se num dos registos mais valorizados na Inglaterra. Kevin Rowland tinha intenção de elaborar algo novo daquilo que se ouvia nessa altura (punk), fugindo um pouco dessa moda presenteando uma nova sonoridade, inserindo o soul como novo ingrediente. Músicas emblemáticas como “Geno” ou “Seven Days Too Long”, é a prova de um trabalho cheio de inspiração e muito bem conseguido. Rowland quis sobretudo dar mais alma ao punk, mas também não esquecendo de toda essa atitude que o punk transmitia. Muita dessa postura estava nas letras, como podemos encontrar em “There There My Dear”, numa reivindicação política. Mas o soul também consegue predominar na fantástica canção “I'm Just Looking” ou até mesmo em “I Couldn't Help It If I Tried”.
Enfim, foi uma banda que fez parte da minha adolescência, e este álbum teve em parte imensa responsabilidade - “Searching for the Young Soul Rebels” - é um documento obrigatório e poético - Love Part 1 (Poem).

Dexys Midnight Runners “Searching for the Young Soul Rebels” (EMI_1980)

Como aqui já recordei “Geno”, fica o vídeo “There There My Dear”.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Pink Floyd “The Wall”

Sensacional, marcante, exemplar, genial, o “The Wall” foi um dos álbuns de enorme destaque na minha adolescência, e que o contexto é extremamente psicadélico e martirizado de um mundo imaginário e de uma sociedade cruel, trazido das ambiciosas mentes dos membros, de uma das melhores bandas do século XX, os Pink Floyd.
A inspiração do The Wall nasceu quando Roger Waters cuspiu para um fã, quando este estava a ter um comportamento perturbador. Mais tarde repugnado pela sua acção, teve a ideia de construir um muro entre ele e o público, que depois passou essa ideia para a produção do álbum. O seu alinhamento também é um pouco diferente dos registos anteriores, sendo mais duro e teatral.
“O conceito do disco retrata a história da vida de um anti-herói (Pink), que é repisado e agredido pela sociedade desde os primeiros dias da sua vida: sufocado pela mãe, oprimido na escola, ele constrói um muro em sua consciência para dividir ele da sociedade, e refugia-se num mundo de fantasia que criou para si. Durante uma alucinação provocada pela droga, Pink transforma-se num ditador fascista apenas para que a sua consciência rebelde o ponha em tribunal, onde o seu juiz interior ordene que mande abaixo o seu próprio muro e que se abra para o mundo exterior.”
Foram singles como The Happiest Days of Our Lives, Another Brick in the Wall (Parte II), Hey You, Mother, Run Like Hell e Comfortably Numb, que formalizaram parte do sucesso deste disco, sendo o 3º mais vendido nos Estados Unidos, recebendo ainda 23 platinas, como também teve vendas de 11,5 milhões de cópias do álbum duplo somente nos EUA.
Posteriormente, The Wall foi explorado para filme, dirigido pelo britânico Alan Parker, onde foi protagonizado por Bob Geldof.
Está ainda previsto para este ano, uma edição de luxo limitada – Immersion – do The Wall, que contem 5 CD’s e um DVD. Ainda o ano passado foi reeditado toda a discografia da banda, baptizada de Discovery.

Pink Floyd “The Wall” (Harvest Records_1979)

Este vídeo retirado do filme The Wall, é acompanhado por “Run like Hell” (um dos meus temas favoritos).

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Wire “Chairs Missing”

Lançado em apenas onze meses do álbum de estreia “Pink Flag”, foi o tempo suficiente para renunciar o punk e considerar numa nova mudança de sonoridade. Podemos reparar num álbum com uma estrutura musical mais rebuscada, variada, sinistra e complexa, inspirando-se talvez nas atmosferas de Brian Eno, sendo depois uma referência importante para a sonoridade do post-punk. Produzido por Mike Thorne, “Chairs Missing” é daqueles álbuns absolutamente fantásticos e essenciais, com 15 músicas convencionalmente bem estruturadas, mesmo muitas delas seguirem diferentes direcções.
A sublinhar o tema de abertura “Practice Makes Perfect”, denso, sombrio e incrivelmente atraente. “Another The Letter” é o testemunho do vanguardismo dos Wire, tema curto, mas fantástico. “Marooned” é a prova do lado mais obscuro que a banda quis transmitir, enquanto indo na direcção do punk, podemos destacar “Sand In My Joints”, “Too Late” e “Men 2nd”. “Being Sucked in Again” e “Heartbeat”, pressiona um bom momento sonoro, sendo também dois dos meus temas favoritos deste disco. A seguir um ambiente mais pop está a “Outdoor Miner” e “Used To”, enquanto “I Am The Fly” é absolutamente irresistível.
Para além de “Pink Flag” e “Chairs Missing”, seguiu-se “154” (1979), outro registo indispensável da discografia dos Wire e uma prova incontestável de uma criatividade descomunal.

Wire “Chairs Missing” (Harvest Records_1978)

Deixo aqui o vídeo “Heartbeat”, aqui numa secção ao vivo.



Fica ainda para ouvir “Another The Letter”.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Nina Simone “Sings the Blues”

O talento, mas principalmente a sua voz singular, faz de Nina Simone uma das figuras incontornáveis do jazz e do blues, produzindo boa música e lançando álbuns extraordinários, incluindo este, “Sings the Blues”.
Como o nome indica, este registo é envolvido pelo blues, apesar de não ter sido por esse estilo que ficou conhecida, mas que mesmo assim o explorou de forma genial.
Este disco foi o primeiro gravado pela RCA, após de ter-se desvinculado da Philips. “Sings the Blues” é um álbum com letras de protesto e de mágoa, onde o blues encaixa na perfeição.
O disco abre com a sensual e a nocturna "Do I Move You", seguindo o blues estridente de “Buck”, escrito pelo seu marido Andy Stroud. "My Man's Gone Now" segue pelo um caminho mais sentimental, enquanto a fantástica "Backlash Blues", uma música de protesto pelos direitos civis aos negros, com letra do poeta e seu amigo, Langston Hughes. Falta ainda destacar as descontraídas "I Want a Little Sugar in My Bowl", "Since I Fell for You" e "Blues for Mama", que são absolutamente fantásticas.
A assombrosa “In the Dark” acompanhada pelo sensual piano de Nina Simone e “Real Real”, profetiza e espiritual, com momentos do gospel. Por fim, "The House of the Rising Sun", uma versão forte e veloz de um clássico de Alan Price.
Para os apaixonados do blues, “Sings the Blues” é um disco indispensável e inteiramente recomendável.

Nina Simone “Sings the Blues” (BMG_1967)

Para ver e ouvir o single "Do I Move You", aqui numa versão ao vivo em Hamburg, Alemanha, no ano de 1986.



E ainda para ouvir "Backlash Blues"

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Rádio Macau “O Elevador da Glória”

Este é sem dúvida um registo português marcante e talvez aquele em que os Rádio Macau conseguiram ganhar mais notoriedade.
Referido mais elementar que os dois discos anteriores, “O Elevador da Glória” conseguiu alcançar um sucesso comercial bem aprazível, principalmente devido aos singles “O Elevador da Glória”, “Cidade Fantasma” e “O Anzol”, três temas clássicos da banda de Algueirão.
Xana, uma voz incomparável e uma figura marcante na minha adolescência, e Flak um dos melhores compositores portugueses, construíram uma discografia exemplar e de grande qualidade, por isso não entendo o insuficiente número de álbuns da banda nas lojas e a escassa informação do grupo na internet. É difícil compreender alguma desatenção a bandas portuguesas tão relevantes como os Rádio Macau, que na minha opinião deveria ser mais compensadora.
“O Elevador da Glória” chegou às minhas mãos pela primeira vez em K7, adquirindo mais tarde o vinil numa feira de discos usados a um preço bem atractivo. Para além dos singles que já referi atrás, “O Holandês Voador”, “O Homem a quem chamaram Cavalo” ou “Os Quiromantes”, são também músicas a tomar consideração.

“Sintonizaram-se de imediato na música portuguesa com a sua frequência alternativa (…) Estávamos em 1980 e Xana iria transformar-se na primeira voz feminina com consistência alternativa no rock que então eclodia em Portugal. A seu lado Flak e Alex, no papel de cúmplices inseparáveis (…)
– Pedro Teixeira

Rádio Macau “O Elevador da Glória” (EMI/Valentim de Carvalho_1987)

Recordo o single “O Elevador da Glória”, um dos temas mais emblemáticos da banda.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

The Cramps “Songs the Lord Taught Us”

No seguimento do 65º aniversário de Lux Interior, recordo hoje aqui o álbum de estreia “Songs the Lord Taught Us” dos assombrosos The Cramps.
Abraçando totalmente o rockabilly, Lux Interior e Poison Ivy Rorschach formam os The Cramps no ano de 76, mas só em 80 é que lançam o seu brilhante álbum de estreia - “Songs the Lord Taught Us” – produzido por Alex Chilton, ao qual foi imposto por este, que a maioria dos temas fossem gravados ao vivo no estúdio (Sam Phillips). Com este registo definem então a sua própria imagem, intercalando o terror, o sexo e a loucura.
Dentro dos temas originais, pode-se destacar “T.V. Set”, de riff contagiante e do lirismo soberbo de Interior. O viciante "Garbageman", um dos meus favoritos "I Was a Teenage Werewolf" e o sedutor “Sunglasses After Dark”. "The Mad Daddy", a homenagem ao DJ Pete "Mad Daddy" Myers, e a excelente música instrumental “I’m Cramped”. Dentro da covers, inclui a brilhante versão dos Sonics - "Strychnine" – do pioneiro rockabilly Johnny Burnette, podemos ouvir "Tear It Up", e ainda o clássico “Fever” de Little Willie John.
Foi devido a este registo que os The Cramps tornaram-se numa das minhas bandas de eleição.

The Cramps “Songs the Lord Taught Us” (Illegal Records_1980)

Segue o vídeo ao vivo de “I Was A Teenage Werewolf”.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Brian Eno “Here Come the Warm Jets”

Ao contrário de muitos, esta é na minha opinião a melhor fase de Brian Eno. Não quer dizer que despreze os caminhos mais ambientais e minimalistas do músico, e não lhe dê mérito pelos discos Another Green World (1975), Before and After Science (1977) e Music for Films (1978), mas sinceramente o glam rock de “Here Come the Warm Jets”, atraiu-me muito mais.
A sua carreira tem sido bastante reverenciada, não apenas pela sua carreira como músico, mas como produtor, que digam os Talking Heads, David Bowie ou os U2. A sua influência tem vindo-se a distinguir, tornando-o uma grande referência ao longo dos anos.
Here Come the Warm Jets” foi o seu primeiro trabalho e opta por explorar o glam rock, conseguindo envolver neste disco a participação de todos os membros dos Roxy Music (tirando Bryan Ferry) e Robert Fripp (King Crimson). A recepção do disco perante a crítica, até foi bastante positiva, sendo inclusive elogiado pelo músico Lester Bangs (Cream) e pela Cynthia Dagnal (Rolling Stone).
São temas como "Driving Me Backwards", "Baby's On Fire", "Needles In The Camera's Eye", “Blank Frank” ou “Dead Finks Don't Talk”, que fazem deste disco histórico e arrebatador. Muitos destas músicas marcaram presença no filme “Velvet Goldmine”, de Todd Haynes e ao qual tiveram imenso protagonismo

Brian Eno “Here Come the Warm Jets” (Islands_1974)

Para ouvir "Baby's On Fire".



E ainda "Needles In The Camera's Eye".

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Grauzone “Die Sunrise Tapes”

Foi nos finais do ano passado que foi lançado “Grauzone 1980-1982”, que é basicamente todos os singles remasterizados da pequena trajectória discográfica dos Grauzone.
Banda suíça formada em 1980, produziu apenas 4 singles, um registo e dez concertos, terminando depois em 1982. Mesmo suíços, a banda foi considerada pioneira da musica new wave alemã, estando relacionada com (Neue Deutsche Welle_NDW), graças ao tema “Eisbär” (Ice Bear), estando entre os 12 primeiros lugares nas tabelas alemãs e austríacas. Mesmo assim, os Grauzone não cativaram a muitos dos críticos, sendo esta uma das razões pela separação da banda. Hoje em dia, o vocalista e guitarrista Stephan Eicher, seguiu por uma carreira a solo, e Marco Repetto é hoje DJ em alguns bares nocturnos.
É assim um disco de melodias simples e contagiantes, que passou despercebido, mas que é um disco genial. Além de “Eisbaer” outros temas também predominam, tais como “Film 2”, “Hinter Den Bergen”, a esplêndida "Wutendes Glas”, “Kalte Kriecht”, a apaixonante “Der Weg Zu Zweit”, “Moskau” e entre outras.
O álbum original com nome homónimo foi editado em 1981, sendo depois reeditado e apelidado de “Die Sunrise Tapes” em 1998, que contem mais 6 singles, 4 deles lançados previamente.
Recomendo!

Grauzone “Die Sunrise Tapes” (Off Course Music/Play It Again Sam._1982/1998)

Para ver e ouvir “Eisbaer”, um dos temas mais populares da banda, e qual os franceses Nouvelle Vague fizeram uma nova versão, que a podem encontrar no 2º registo - Bande à Part.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Scratch Acid “Scratch Acid”

Os Scratch Acid tiveram um papel importante no movimento noise punk dos anos 80, tornando o punk com um ambiente mais sujo e frenético.
A banda foi formada em 1980, Austin, por o vocalista David Yow e o baixista David Sims, ambos conhecidos dos The Jesus Lizard, que formaram após o final dos Scratch Acid em 1987. Kurt Cobain foi um dos músicos que referiu variadas vezes os Scratch Acid como referencia e como uma das suas bandas de eleição.
Foi então que em 84 foi lançado o EP “Scratch Acid”, o 1º trabalho da banda com 8 intensas canções. Basta ouvir a aterrorizadora “Cannibal", uma das melhores faixas do disco, e a profunda "Owner's Lament". A abrasiva "Greatest Gift" e as frenéticas “Monsters” e “She Said".
Não conseguiram com este registo alcançar, infelizmente, grande sucesso comercial, mas que mesmo assim foi uma banda que desempenhou um papel crucial no desenvolvimento da música noise e é por isso recomendável.
Este registo pode ser também encontrado na compilação “The Greatest Gift”, que tem praticamente todos os temas da banda, incluindo o inédito, "The Song Scale", que foi produzido ainda antes do EP.

Scratch Acid “Scratch Acid” (Fundamental_1984)


Para ouvir “Cannibal”.



“Owner's Lament”

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Marianne Faithfull “Broken English”

O regresso de Marianne Faithfull com o brilhante novo registo “Horses and High Heels” editado durante o inicio deste ano, lembrei-me aqui recordar um dos seus álbuns mais famosos. “Broken English” foi crucial para a carreira de Faithfull, graças à sua mudança de sonoridade e da sua inspiração. Seguindo pelos seus caminhos já explorados do rock, introduziu também o new wave e o punk às suas influências, com o uso liberal dos sintetizadores. O resultado é bastante satisfatório, mesmo não obtendo o merecido reconhecimento na área comercial. Mesmo assim, foi classificado como um dos melhores e dos mais importantes discos da década de 70.
Devido à sua dependência com a droga e a sua vida errática, a sua voz cristalina e frágil tornou-se rouca e fria, por isso em “Broken English”, Faithfull consegue ter uma interpretação muito mais forte, encaixando-se na perfeição para este disco. Destaco essencialmente os temas “Broken English”, "Witches' Song", "The Ballad of Lucy Jordan" (Shel Silverstein), "Why'd Ya Do It?" e por fim, a excelente versão "Working Class Hero" de John Lennon.
Há que também referir a icónica fotografia do disco, que ficou a cargo do britânico Dennis Morris, que deu o nome de – “Addiction never looked so good”. Para quem tiver oportunidade de ir este verão a Londres, visitem a Snap Galleries (8 Arcade Piccadilly), para ver fotos do autor a Marianne Faithfull, até de 31 de Julho.

Marianne Faithfull “Broken English” (Island Records)

Recordo então “Broken English”, o tema que dá o nome ao álbum.